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COVID longa: diabetes prolonga recuperação e agrava sequelas

ResumoPesquisa da Universidade de São Paulo (USP) com 870 pacientes internados por COVID-19 revela que diabetes mellitus prolonga a recuperação pós-infecção e intensifica sequelas. O acompanhamento por até sete meses identificou maior risco de complicações cardiovasculares e fragilidade física em diabéticos. A condição metabólica pré-existente agrava o quadro clínico, exigindo monitoramento prolongado e manejo específico para reduzir danos funcionais e cardiovasculares.

Pesquisa da USP acompanhou 870 pessoas por até sete meses após internação por COVID-19 e revelou que diabetes prolonga a recuperação e agrava sequelas como complicações cardiovasculares e fragilidade.

Vânia Drummond
Vânia Drummond Repórter de Cultura Mineira · 08 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
COVID longa: diabetes prolonga recuperação e agrava sequelas

Pessoas com diabetes que tiveram COVID-19 enfrentam recuperação mais lenta e sequelas mais severas da COVID longa. Foi o que mostrou um estudo da Universidade de São Paulo (USP) com 870 pacientes acompanhados por até sete meses após a internação. Os resultados, publicados na revista Scientific Reports, indicam que o diabetes não é apenas fator de risco na fase aguda, mas também prolonga o tempo de recuperação e reduz a qualidade de vida no longo prazo.

Segundo Maria Elizabeth Rossi da Silva, chefe da Unidade de Diabetes do Hospital das Clínicas da USP (HC-FM-USP) e uma das autoras, "o diabetes não é apenas um fator de risco para a fase aguda da COVID-19, mas também um elemento que prolonga o tempo de recuperação e degrada a qualidade de vida no longo prazo". A pesquisa comparou 320 pacientes com diabetes e 550 sem a doença, todos internados no HC entre março e setembro de 2020, na primeira fase da pandemia, quando ainda não havia vacinas.

Os números mostram o impacto: enquanto 94,3% dos pacientes sem diabetes relataram recuperação plena, esse índice caiu para 89,8% entre os diabéticos. Além disso, 21,1% dos pacientes com diabetes relataram quedas após a alta, quase o dobro dos 11,1% observados no grupo sem a doença. O tempo de internação também foi maior: 16 dias contra 13.

O estudo constatou risco aumentado de complicações cardiovasculares, como infarto e angina, no grupo com diabetes. Silva explica que "a inflamação sistêmica provocada pelo diabetes se soma à toxicidade direta do vírus, criando um cenário em que o coração se torna um dos principais alvos de complicações graves". Sete meses após a alta, os diabéticos apresentavam níveis elevados de fragilidade, dificuldades de mobilidade e desempenho inferior nos domínios físico e cognitivo.

Outro achado relevante: 7,3% dos participantes sem diabetes desenvolveram a doença após a infecção pelo SARS-CoV-2. A pesquisadora pondera que o vírus pode ter desmascarado casos preexistentes ou servido como gatilho em pessoas já predispostas. Ela também destaca que desigualdades sociais, como baixo acesso a cuidados médicos e alimentação inadequada, influenciam os desfechos.

Para Silva, "as políticas de saúde devem considerar essas particularidades, oferecendo acompanhamento específico para pacientes com diabetes no pós-COVID". O estudo continua, e os pesquisadores analisam dados coletados três anos após a infecção. Se você tem diabetes e já teve COVID-19, converse com seu médico sobre acompanhamento prolongado para monitorar possíveis sequelas.

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