Contas do governo têm déficit de R$ 48,2 bilhões em junho, pior desde 2023
As contas do governo registraram déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho, segundo o Tesouro Nacional. O resultado é o pior para o mês desde 2023. Despesas reais cresceram 9% ante o mesmo período do ano passado.
Contas do governo têm déficit de R$ 48,2 bilhões em junho, pior desde 2023
As contas do governo registraram déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira (30). O resultado é o pior para o mês desde 2023, quando o rombo foi de R$ 51,6 bilhões (valores corrigidos pela inflação). O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo, sem considerar os juros da dívida pública.
Déficit primário de R$ 48,2 bilhões: por que o resultado piorou?
O déficit de junho superou o saldo negativo de R$ 46,3 bilhões registrado no mesmo mês de 2025 (também com correção inflacionária). Segundo números do Tesouro Nacional, o aumento de despesas influenciou o resultado negativo. Os gastos totais tiveram alta real (acima da inflação) de 9% em junho, para R$ 243,3 bilhões.
Quais despesas mais pressionaram o resultado?
Os principais aumentos foram: despesas do Poder Executivo sujeitas à programação financeira (+R$ 10,1 bilhões); créditos extraordinários (+R$ 2,8 bilhões); benefícios previdenciários (+R$ 2,1 bilhões); abono e seguro-desemprego (+R$ 1,7 bilhão); pessoal e encargos sociais (+R$ 1,3 bilhão).
Receitas também crescem, mas não compensam gastos
As receitas líquidas registraram alta real de 10,3% em junho, para R$ 195,2 bilhões. O bom comportamento da arrecadação está relacionado ao crescimento da economia brasileira e aos aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além da arrecadação relativa à taxação e à alta do petróleo.
Acumulado do primeiro semestre: déficit de R$ 92,2 bilhões
No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, as contas do governo registraram déficit primário de R$ 92,2 bilhões, alta de 717% na comparação com o mesmo período de 2025, quando o saldo negativo foi de R$ 11,3 bilhões. A deterioração está relacionada, principalmente, à antecipação no cronograma de pagamento dos precatórios (valores referentes a sentenças judiciais) feita em março, que elevou o volume de despesas neste ano.
Receita e despesa no semestre
Nos seis primeiros meses de 2026, houve aumento real de 5,6% na receita líquida, após transferências constitucionais a estados e municípios, totalizando R$ 1,26 trilhão (sem correção). Ao mesmo tempo, as despesas totais do governo somaram R$ 1,35 trilhão entre janeiro e junho, com alta real de 12,3% no período (valores nominais).
Meta fiscal de 2026: o que diz o arcabouço?
Para 2026, a meta é de que as contas do governo tenham saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões. De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a superávit de R$ 68,6 bilhões.
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas e use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais). Com a banda em torno da meta fiscal e abatimentos legais, a previsão oficial do governo é de que suas contas tenham déficit de quase R$ 52 bilhões em 2026. Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Lula.
Perguntas Frequentes
O que é déficit primário?
É quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo, sem considerar os juros da dívida pública. Se as receitas superam as despesas, o resultado é superávit primário.
Qual foi o déficit de junho de 2025?
Em junho de 2025, o déficit primário foi de R$ 46,3 bilhões (valor corrigido pela inflação), inferior ao rombo de R$ 48,2 bilhões registrado em junho de 2026.
O que explica a piora no acumulado do ano?
A deterioração está relacionada principalmente à antecipação do cronograma de pagamento de precatórios feita em março, que elevou o volume de despesas no primeiro semestre.
Qual é a meta fiscal para 2026?
A meta central é de superávit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões. Com a banda de tolerância, o governo pode ter saldo zero ou superávit de até R$ 68,6 bilhões para cumprir formalmente a meta.
O governo pode abater despesas da meta?
Sim. O arcabouço fiscal permite que o governo retire do cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas, como precatórios, para efeito de cumprimento da meta.