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Como identificar gatilhos da ansiedade? Especialistas explicam

Os gatilhos que desencadeiam crises de ansiedade podem ter origem no ambiente externo ou nas sensações internas do indivíduo. A explicação é de Maria Alice Fontes, neuropsicóloga, e Márcio Bernik, chefe do ambulatório de ansiedade do HCFMUSP, em entrevista ao CNN Sinais Vitais.

Segundo Bernik, uma crise de ansiedade compartilha características físicas com um esforço intenso, como correr 400 metros rasos. "A diferença na crise de ansiedade é que vem com a emoção da ansiedade, com o humor ansioso, que é essa sensação de tragédia iminente", explicou.

Esse estado pode gerar um condicionamento aversivo em relação às próprias sensações corporais. Pacientes com síndrome do pânico, por exemplo, passam a evitar atividades físicas, filmes emocionantes ou a vida sexual, com receio de uma nova crise. "A questão da esquiva fóbica na tentativa de garantir a segurança de que não vou ter uma crise acaba causando mais males para a pessoa do que a própria crise em si", afirmou.

Maria Alice Fontes detalhou os dois tipos de gatilho. Interno: sentir as mãos trêmulas e interpretar como sinal de que algo ruim vai acontecer. Ambiental: algo banal, como ver um gato preto passando na frente. "A terapia voltada para o controle da regulação emocional tem que fazer com que a pessoa aguente, porque na hora que ela aguenta um pouquinho aquela sensação de desconforto, ela vai se habituando e percebendo que não é nada grave", disse.

A neuropsicóloga reforçou que os sintomas são físicos e concretos, não fruto de imaginação. "Muita gente diz que a pessoa está ansiosa e que isso não é nada, que é coisa da sua cabeça. Na verdade, não: ela sente um desconforto que pode ter taquicardia, sudorese. Então não é que ela está inventando alguma coisa", afirmou.

Bernik comparou com a febre alta e manchas visíveis: ninguém questiona o sofrimento de quem tem esses sintomas, mas muitos não entendem a dimensão do problema de quem passa mal ao entrar no metrô. "O pessoal fala que também não gosta do metrô cheio, mas não entende a magnitude, a dimensão do problema", concluiu.

Para quem vive com ansiedade, reconhecer os gatilhos é o primeiro passo para o tratamento. A orientação dos especialistas é buscar ajuda profissional e entender que o desconforto é real e tratável.

Ronaldo Pimenta
Repórter de Esporte Mineiro
Torcedor convertido em repórter, cobre o futebol de Minas com paixão controlada e imparcialidade entre rivais.
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