Brasil tenta abrir mercado de carne bovina na Coreia do Sul após 20 anos
O Brasil intensifica negociações para exportar carne bovina à Coreia do Sul após duas décadas. A conquista do status internacional de livre de febre aftosa sem vacinação é o principal avanço. Entenda como isso pode afetar o mercado e os preços internos.
O Brasil intensifica as negociações para exportar carne bovina à Coreia do Sul, tema que esteve entre os assuntos discutidos durante o encontro entre a comitiva sul-coreana e representantes brasileiros. A expectativa é de que o país asiático abra seu mercado para a carne bovina brasileira após duas décadas de tratativas.
O que mudou para o Brasil conseguir negociar com a Coreia do Sul?
Um avanço decisivo ocorreu recentemente: o Brasil conquistou o status internacional de país livre de febre aftosa sem vacinação, condição indispensável para o comércio com a Coreia do Sul. "Até o ano passado, o Brasil não tinha um status internacional de livre de febre aftosa sem vacinação. E a gente conquistou no ano passado", explicou a analista do CNN Agro, Fernanda Pressinot. "Isso é muito importante, porque a Coreia não compra carne se não for com um país que tenha esse status fitossanitário", acrescentou.
Por que o mercado sul-coreano é estratégico para o Brasil?
A abertura do mercado sul-coreano é considerada especialmente relevante porque o país consome cortes nobres e produtos de alto valor agregado. A conquista desse destino pode impulsionar significativamente as exportações brasileiras, sobretudo em um momento em que as cotas de exportação para a China foram encerradas. Neste ano, a China estabeleceu que o Brasil poderia vender apenas 1 milhão e 100 mil toneladas de carne bovina, cota que já foi esgotada. "Não que os coreanos comprem o mesmo volume que os chineses, mas são carnes de melhor qualidade que a gente vem tentando conquistar há bastante tempo", ponderou Pressinot.
Quais os próximos passos para a exportação de carne para a Coreia do Sul?
Para avançar nas negociações, ainda é necessário que a Coreia do Sul envie missões técnicas ao Brasil para visitar frigoríficos, avaliar a qualidade das instalações e verificar a rastreabilidade da carne. Situação semelhante ocorre com o Japão, que também aguardava o status fitossanitário brasileiro e já enviou missões comerciais e de análise técnica ao país.
Como o fim das cotas chinesas afeta o preço da carne no Brasil?
No mercado interno, o fim das cotas chinesas já produziu efeitos perceptíveis nos preços. Em junho, o valor da carne bovina recuou no Brasil: a alcatra, por exemplo, ficou mais de 1% mais barata do que estava em maio. No entanto, Pressinot avalia que a tendência é temporária. "Com certeza, os frigoríficos vão ajustar a escala de abates e a gente vai ver uma normalidade de preços no segundo semestre", concluiu a analista.
Perguntas Frequentes
Por que o Brasil não exportava carne para a Coreia do Sul antes?
Porque o Brasil não tinha o status internacional de livre de febre aftosa sem vacinação, condição exigida pela Coreia do Sul para comprar carne bovina.
Qual a importância do status de livre de febre aftosa sem vacinação?
Ele é indispensável para negociar com a Coreia do Sul e com outros países como o Japão, que também exigem esse status fitossanitário.
A Coreia do Sul compra o mesmo volume de carne que a China?
Não. A China compra volumes maiores, mas a Coreia do Sul consome cortes nobres e de maior valor agregado, o que torna o mercado atrativo.
O que ainda falta para a exportação começar?
A Coreia do Sul precisa enviar missões técnicas ao Brasil para visitar frigoríficos e verificar a rastreabilidade da carne.
Como o fim das cotas chinesas impacta o preço da carne no Brasil?
Em junho, a alcatra ficou mais de 1% mais barata. A tendência é que os preços se normalizem no segundo semestre, segundo a analista.