Ansiedade na infância: indícios explicados ao Dr. Kalil
A ansiedade na infância é um tema que exige atenção de pais e cuidadores. Especialistas explicam ao Dr. Kalil, no CNN Sinais Vitais deste sábado (29), às 19h30, que a maioria dos transtornos de ansiedade começa nos primeiros anos de vida. O psiquiatra Márcio Bernik, chefe do Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas da USP, afirma que o quadro frequentemente surge como fobias. "Geralmente começam com fobias na infância. Depois isso evolui para quadros do tipo crise de pânico, geralmente na adolescência", disse.
Bernik ressalta que muitas fobias infantis são transitórias. "É normal quando a criança está começando a interagir com o mundo desenvolver medos, alguns até meio mágicos", explicou. Um certo grau de ansiedade integra os mecanismos de sobrevivência, ajudando a criança a evitar perigos. O transtorno de pânico, embora menos comum, chama atenção pelo componente genético: cerca de 70% da variância relacionada à chance de ocorrência é hereditária. "Quem vai ter pânico são os filhos dos nossos pacientes com pânico", afirmou, classificando-o como um dos mais geneticamente determinados em psiquiatria, ao lado do transtorno bipolar.
Para ilustrar a prevalência, Bernik relatou que, em um mês, ele e um pós-graduando identificaram 140 pacientes em um pronto-socorro com sensação de morte iminente e eletrocardiograma normal, sinal clássico do pânico. A neuropsicóloga Maria Alice Fontes descreveu o padrão de pensamento ansioso como focado no pior desfecho, com pensamento "tudo ou nada". "Ela começa a ser consumida por esses pensamentos negativos de algo ruim que vai acontecer", explicou. Isso gera sintomas físicos como taquicardia, sudorese e fuga de pensamentos, comprometendo a rotina e a qualidade de vida.
O programa traz ainda a discussão sobre como distinguir medos normais de sinais de alerta. A orientação é observar a intensidade e a persistência dos sintomas, buscando avaliação profissional quando interferem nas atividades diárias. A série histórica de casos mostra que o diagnóstico precoce pode evitar quadros mais complexos na vida adulta. saúde mental infantil transtorno de ansiedade