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Análise: solução de Trump para problema com a Venezuela

Os Estados Unidos precisam do petróleo venezuelano, talvez mais do que em qualquer momento desde a crise dos anos 1970. O presidente Donald Trump, porém, enfrentou dificuldade para convencer petrolíferas americanas a investir na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro em janeiro. Intimidação pública e acordos com Delcy Rodríguez não bastaram. Remover o líder foi a parte mais fácil.

O anúncio de sexta-feira pode mudar o jogo: os EUA assumirão 55% de uma nova joint venture com um operador venezuelano privado, segundo funcionário da Casa Branca. O contrato de arrendamento por 100 anos criará a segunda maior empresa de petróleo do mundo em reservas, atrás da Saudi Aramco. A Venezuela tem 303 bilhões de barris comprovados, e a nova empresa controlará 65 bilhões, mais que dobrando os 46 bilhões que os EUA já controlam.

Por que isso importa para você? Os EUA quadruplicaram importações de petróleo venezuelano neste ano, chegando a 600 mil barris por dia, o maior volume desde as sanções de 2019. A Venezuela é a 2ª maior fonte de petróleo importado, atrás do Canadá, segundo a EIA. O petróleo venezuelano é pesado e ácido, ideal para refinarias americanas construídas nos anos 1970, que produzem asfalto, diesel e combustível de aviação.

Com a guerra com o Irã interrompendo um quinto do fornecimento mundial, os EUA viraram fornecedor de último recurso. O acordo pode ajudar a reabastecer a Reserva Estratégica de Petróleo, no nível mais baixo desde 1982. A Venezuela produz hoje 1,2 milhão de barris por dia, 150 mil a mais que no início do ano, segundo Luisa Palacios, ex-presidente da Citgo. Ainda assim, bem abaixo dos 3,5 milhões de antes da era socialista.

Para especialistas como Andy Lipow, da Lipow Oil Associates, a propriedade direta dos EUA sinaliza segurança jurídica e pode acelerar investimentos. Rob Thummel, da Tortoise Capital, pondera: "Provavelmente serão necessários anos, não meses". A Chevron, única grande petrolífera americana com presença constante, pode se beneficiar, mas sozinha não levará o país ao pico de produção.

A Venezuela precisa da receita para se reconstruir após o terremoto devastador e décadas de má gestão. A participação de 45% não resolve tudo, mas pode convencer um público cético. O próximo passo é ver se as grandes petrolíferas aceitam o risco.

Ronaldo Pimenta
Repórter de Esporte Mineiro
Torcedor convertido em repórter, cobre o futebol de Minas com paixão controlada e imparcialidade entre rivais.
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