Análise: desculpas de Cármen Lúcia e o timing no STF
A ministra Cármen Lúcia declarou, em sessão extraordinária do STF (Supremo Tribunal Federal) nesta terça-feira (15), estar em "estado de profunda tristeza" com o objeto de investigação em pauta e com a condução do debate. Disse também sentir-se "envergonhada". Ao final da sessão, pediu desculpas publicamente.
O analista de Política Caio Junqueira avaliou, no CNN Prime Time, que a intervenção da ministra teria sido mais efetiva se tivesse ocorrido mais cedo, no início ou no meio da tarde. Segundo ele, "a imagem dela passa essa sensatez e essa delicadeza indo direto para chamar os homens que estavam brigando daquela forma".
Antes do julgamento, o posicionamento de Cármen Lúcia era uma das principais incógnitas. Havia especulações de que ela pudesse votar a favor da abertura de investigação contra Alexandre de Moraes. Na sessão, porém, ela se posicionou ao lado de Edson Fachin na defesa de manter os inquéritos em investigações separadas envolvendo André Mendonça e Alexandre de Moraes.
Junqueira observou que Cármen Lúcia é vista por juristas e por quem acompanha o STF como uma ministra sensível à opinião pública, a editoriais de jornais e a pesquisas. Para o analista, a fala ao final da sessão pode ser interpretada também como uma defesa de sua própria postura.
Na manifestação que encerrou as falas dos ministros, Cármen Lúcia pediu desculpas. "Se eu como juíza desta casa devesse ter me conduzido talvez com uma postura diferente para poder ter ajudado mais para evitar isso, eu estou pedindo desculpas", afirmou. Dirigiu-se ainda ao povo brasileiro: "Eu peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente. Mas acho que todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era de tentar resolver, e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais."
A ministra defendeu a independência do STF e negou ter sofrido qualquer tipo de pressão. "Eu não sofri pressão nenhuma e não sofro, nem de dentro, nem de fora", declarou. Acrescentou que conversou pessoalmente com os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, mas que em nenhum momento houve pedido de voto em qualquer sentido. "É falso essa ideia de que clamor público vai nos fazer votar num ou no outro sentido", afirmou, ressaltando que "é preciso que as pessoas acreditem que nós temos a independência necessária para continuarmos a ser juízes".
Com o adiamento do julgamento, ainda não há definição sobre quando ocorrerá a próxima sessão.