"Super El Niño": pesquisadores alertam para efeitos climáticos extremos
Pesquisadores brasileiros alertam sobre os riscos do "Super El Niño" em 2026, destacando como isso pode resultar em eventos climáticos extremos que afetam a população e a economia local. Medidas preventivas são sugeridas para mitigar esses impactos.
"Super El Niño": pesquisadores alertam para efeitos climáticos extremos
O risco de formação de um "super El Niño" em 2026 levou pesquisadores brasileiros a reforçarem o alerta sobre a necessidade de preparar o país para uma nova rodada de eventos climáticos extremos. Segundo especialistas ligados ao Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), a combinação entre o fenômeno natural e o aquecimento global pode aumentar a intensidade de chuvas torrenciais, ondas de calor, estiagens prolongadas e processos de erosão costeira, afetando diferentes regiões do Brasil.
Os cientistas destacam que o maior desafio está nas áreas costeiras, onde vivem milhões de brasileiros em regiões sujeitas a alagamentos, deslizamentos de terra e ressacas. Além da elevada concentração populacional, essas localidades perderam parte de suas defesas naturais ao longo das últimas décadas, tornando-se mais vulneráveis aos efeitos da elevação do nível do mar e de tempestades mais intensas.
Marcus Polette, professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e integrante da rede INPO, afirma que o cenário exige medidas preventivas antes mesmo da confirmação do fenômeno. O Brasil já vem registrando um crescimento expressivo dos desastres hidrometeorológicos, impulsionado pelas mudanças climáticas.
Os pesquisadores apontam que, caso o El Niño se consolide, seus efeitos não deverão ser sentidos da mesma forma em todo o país. Episódios anteriores do fenômeno provocaram aumento das chuvas no Sul e em parte do Sudeste, favorecendo enchentes, enquanto na Amazônia a redução das chuvas pode levar a severas secas e problemas no abastecimento de água.
Para reduzir os impactos, os pesquisadores defendem uma estratégia que inclua tanto obras de infraestrutura quanto a recuperação dos ecossistemas naturais. Entre as prioridades estão o fortalecimento dos sistemas de monitoramento meteorológico e oceanográfico e a atualização dos planos de contingência, além de soluções baseadas na natureza como a recuperação de manguezais.
Adaptar cidades e comunidades aos novos padrões climáticos é uma necessidade imediata. A integração entre ciência, planejamento territorial, governança e adaptação climática será fundamental para aumentar a capacidade de resposta diante de eventos extremos que tendem a se tornar mais frequentes e intensos.