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Metamorfose em Ouro: a arte da transformação

O artista e jornalista Rozembergue Alex Teixeira apresenta a tela Metamorfose em Ouro, uma obra que nasceu aos poucos, como se a própria pintura conduzisse a mão de quem a cria. A figura feminina, vista de costas, carrega uma borboleta sobre si. Não é só estética: a borboleta simboliza mudanças, recomeços, perdas e a construção de uma nova versão de nós mesmos. Foi por isso que o autor escolheu o título Metamorfose em Ouro.

O folheado a ouro não ornamenta o quadro por luxo. Ele integra a narrativa, criando luz, profundidade e movimento. O fundo se modifica conforme a iluminação e o ponto de observação. Na história da arte, o ouro foi associado ao sagrado, à permanência e ao precioso. Aqui, essa linguagem ganha leitura contemporânea e pessoal. O dourado envolve a personagem, mas não a aprisiona: abre espaço para a transformação.

A escolha de omitir o rosto foi intencional. Sem identidade, a mulher deixa de ser uma pessoa específica e pode representar qualquer um que esteja deixando uma fase para trás. As asas coloridas ocupam o centro e se tornam quase extensão do corpo. Antes de ganhar asas, a borboleta passa por processo silencioso e necessário: a mudança acontece primeiro por dentro.

As cores sustentam o sentido. O azul traz profundidade e contrasta com o dourado. O preto cria dramaticidade. Tons terrosos aproximam a obra da matéria. Vermelhos e amarelos nas asas acrescentam vida e movimento. Há ainda uma característica central: o ouro muda com a luz. Em alguns momentos parece intenso; em outros, discreto. A obra nunca é exatamente a mesma, também se transforma diante do observador.

Como artista e jornalista, Teixeira sempre se interessou pelas histórias por trás das imagens. Metamorfose em Ouro conta uma história sem palavras, sobre mudança, identidade e recomeço. O ouro representa a luz e o que valorizamos; a borboleta, a mudança; a figura feminina, todos nós diante dos caminhos da vida. Cada pessoa que olhar a tela pode encontrar uma transformação diferente. No fim, toda metamorfose começa quando aceitamos que já não somos quem éramos antes.

Sérgio Tadeu Mafra
Repórter de Economia Regional
De Uberlândia, cobre economia do Triângulo e agronegócio mineiro com dado na mão e linguagem clara.
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