Marianna Leão lança livro inspirado na Coreia do Sul na Bienal
A autora juiz-forana Marianna Leão lança "A ilha dos sonhos perdidos" na Bienal do Livro em São Paulo, neste domingo (6). A trama acompanha uma jornalista brasileira desacreditada e um professor de história coreano em busca de um tesouro. O livro nasceu de uma pesquisa extensa sobre a Coreia do Sul e de vivências pessoais da escritora.
Marianna se aproximou da cultura pop coreana por recomendação de amigas. O ponto de partida foi o drama "Goblin". Depois vieram os grupos de K-pop. Em 2018, ela viajou sozinha para o país, onde passou cerca de um mês. A ilha de Jeju, no sul, marcou a viagem: lá, ela encontrou pessoas da sua idade que buscavam uma pausa na carreira, insatisfeitas, mas sem conseguir recomeçar.
Essa realidade inspirou a protagonista Nina, jornalista formada pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) que trabalha em uma agência, distante do que a motivava. A virada acontece quando ela recebe um e-mail de cápsula do tempo, escrito aos 16 anos, e decide retomar o sonho do intercâmbio. Joon-Young, o outro protagonista, é um professor em Jeju que tenta limpar o nome da família, acusada de apoiar o Japão na ocupação da península coreana. Ele herda uma construção histórica, o Coração do Rei, cercada pela lenda de um tesouro.
Para escrever, Marianna mesclou ficção e realidade, com leitura de artigos, jornais e documentários. Incluiu figuras históricas da família real coreana e ativistas. A leitura sensível, etapa que garante respeito a grupos minoritários representados, foi um destaque do processo. "Isso ajudou o livro a se tornar mais forte e fiel", afirmou.
Marianna publica desde 2015 e começou no Wattpad, onde criou laços com leitores. Na Bienal, terá sessão de autógrafos e celebra o contato direto com o público. "É a primeira vez que vou todos os dias e estou muito animada", disse. A autora já lançou "Clube da meia-noite", "Hater nº 1" e contos digitais. Em "A ilha dos sonhos perdidos", há uma playlist de K-pop; em outros títulos, QR codes com podcasts.
Para o público mineiro, a notícia reforça a produção literária regional em vitrine nacional. A expectativa é que a presença na Bienal amplie o alcance da obra e incentive novos leitores, sobretudo adolescentes, a se aproximarem da literatura nacional literatura mineira.