Documentário sobre Gonzaguinha: obra atual nos cinemas
Documentário sobre Gonzaguinha, dirigido por Susanna Lira, estreia hoje nos cinemas. A obra foge do formato tradicional e aposta na voz do próprio cantor para mostrar sua atualidade.
O documentário "Gonzaguinha, Da Maior Liberdade", dirigido por Susanna Lira, estreia hoje nos cinemas. O longa foge do formato tradicional: quase não há depoimentos, apenas a fala do próprio cantor, e a narrativa não segue uma cronologia didática. A proposta é invocar a inquietude permanente de Gonzaguinha, um dos nomes mais importantes da música popular brasileira.
A cineasta explica a escolha: "Ele era um cara que tinha muito a dizer, que deixou uma obra muito complexa, muito importante sobre o Brasil. E eu realmente não quis perder espaço no filme, privilegiando outras vozes senão a dele." Tudo no filme foi dito por ele, inclusive as cenas encenadas por um ator, que partem de uma entrevista concedida ao semanário "O Pasquim".
Gonzaguinha, que teve mais de 50 músicas censuradas na ditadura, "tinha o povo brasileiro como sua maior inspiração", segundo Susanna. "E também as nossas mazelas, as nossas desigualdades. Acho que isso o inquietava." A diretora, que já assinou cinebiografias de Mussum, Clara Nunes e Fernanda Young, destaca que muita gente o conhecia apenas como filho de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. "Mas ele era único, tinha um caminho tão diferente do próprio pai."
A relação com o pai, aliás, é tratada sem romantização. "Havia sim muitas divergências ideológicas entre eles. Gonzaguinha foi criado distante do pai, no morro, mas a arte acabou cicatrizando essas mágoas." O filme também joga luz na passagem do cantor por Belo Horizonte, onde residiu por dez anos na região da Lagoa da Pampulha. Lá, ele andava de bicicleta e se inspirou para compor "Lindo Lago do Amor". Foi na capital que conheceu Louise Margaret, a Lelete, sua companheira. Gonzaguinha morreu em 1991, aos 45 anos, após um acidente automobilístico em estradas paranaenses.
O resultado é um filme sensorial, menos explicativo, que mostra a necessidade de ouvir Gonzaguinha para nos inspirarmos na coragem dele. "É um cara que morreu há 35 anos, mas a obra continua atual", afirma Susanna. A diretora já prepara o próximo projeto: uma série sobre a cantora Marília Mendonça, com lançamento no próximo mês. filmes sobre música brasileira nos cinemas