Islandeses rejeitam UE: 'não' em referendo
Os islandeses votaram para permanecer fora da União Europeia, informou a emissora RUV neste domingo (30), rejeitando a pressão do governo para reabrir as negociações de adesão. O resultado alinha o país com aqueles que defendem que as águas pesqueiras da Islândia são importantes demais para serem colocadas em risco.
Um voto 'não' decepcionará Bruxelas, já que alguns funcionários consideravam a Islândia um caso de baixo risco que poderia ajudar a diminuir o ceticismo em relação ao alargamento da UE e fortalecer estrategicamente o bloco num momento em que a segurança do Ártico está em foco.
O governo apresentou seu plano de adesão como um momento de 'agora ou nunca'. A primeira-ministra Kristrun Frostadottir disse aos eleitores em agosto que um 'não' colocaria de lado todas as especulações sobre a UE. Os defensores do 'sim' afirmaram que a adesão ao bloco poderia aliviar as altas taxas de juros e oferecer mais segurança em um mundo instável devido à guerra na Ucrânia e à retórica do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a anexação da Groenlândia. Os defensores do 'não' afirmaram que a adesão ameaçaria a soberania da ilha e suas águas de pesca.
A campanha do referendo alimentou o debate sobre o lugar da Islândia no mundo, disse a primeira-ministra a repórteres após votar na capital no sábado. 'Este é um grande dia. Estávamos esperando por isso há anos, para podermos ter uma votação', disse Frostadottir, acrescentando que seu governo continuaria seu trabalho independentemente do resultado.
A Islândia solicitou pela primeira vez a adesão à UE em 2009, quando uma crise financeira atingiu a pequena e vulnerável economia do país. Um governo eurocético encerrou as negociações em 2013. A turbulência geopolítica, incluindo a guerra no Oriente Médio e as tarifas de importação dos EUA, trouxe urgência a uma questão que os islandeses debatem intermitentemente há décadas.