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Concertos sob medida para pacientes com demência: entenda

Pesquisadores da Universidade Northwestern criaram o Musical Museum (Museu Musical), uma série de concertos ao vivo projetada para pessoas com transtornos neurocognitivos, de leves a moderados, e seus cuidadores. A iniciativa surgiu para preencher uma lacuna: após o diagnóstico de demência, quase todos os idosos evitam aulas tradicionais por medo de não acompanhar o ritmo. O estudo foi publicado na revista Frontiers in Neurology.

O programa, desenvolvido pelo Programa de Música e Medicina da Northwestern, trouxe benefícios aos participantes, como maior bem-estar emocional, estimulação intelectual e interação social. Nas pesquisas, eles relataram satisfação e melhora significativa no humor após as sessões.

"A música permanece intacta por muito tempo para pacientes com demência, de modo que o Musical Museum é uma maneira de ajudá-los a se regular emocionalmente e de proporcionar estimulação intelectual e cognitiva", afirmou Borna Bonakdarpour, diretor do programa e um dos autores do trabalho. Pianista de formação clássica, ele se apresenta com frequência nos concertos e é professor associado de neurologia comportamental da Northwestern.

Os concertos atraem uma média de 50 participantes por evento. Cada sessão dura cerca de 45 minutos, com músicas variadas precedidas por uma breve introdução, que destaca aspectos históricos, filosóficos e poéticos das obras. O roteiro é escrito para estimular o público sem sobrecarregá-lo. Após cada espetáculo, uma pequena recepção permite interação com organizadores e músicos.

"É comum que indivíduos com demência se isolem porque podem se sentir nervosos ou envergonhados, especialmente se sua linguagem declinou; por isso, essa é uma maneira de tirá-los de casa e uma boa oportunidade de vê-los fora do ambiente clínico", acrescentou Bonakdarpour.

Os participantes analisados frequentaram 11 sessões, com gêneros como bossa nova, jazz e barroco. Cada sessão teve um tema integrando conceitos filosóficos, como amor, perdas e tempo, em períodos culturalmente significativos, como as décadas de 1960 e 1970. A música familiar, definida como aquela popular até o final da adolescência do público, pode melhorar a memória autobiográfica e reduzir a agitação, segundo estudos anteriores. A música não familiar incluía melodias variadas, às vezes baseadas em canções folclóricas.

Para famílias que convivem com demência, a iniciativa mostra como a música pode ser um canal de acesso ao bem-estar música e saúde cerebral. Quem busca alternativas de estimulação pode procurar programas semelhantes em instituições culturais locais atividades culturais para idosos.

Cláudia Resende
Repórter de Saúde e Educação
De Juiz de Fora, cobre saúde pública e educação em MG com foco no que afeta a família mineira.
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