Trump cita PCC e CV e diz que Brasil falhou no enfrentamento
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) em documento anual enviado ao Congresso norte-americano, datado de terça-feira (15). No texto, ele afirma que o governo brasileiro falhou no enfrentamento às facções criminosas.
A crítica aparece em relatório que identifica países considerados importantes no trânsito de atividades criminosas transnacionais, segundo a publicação. Trump usou o documento para apontar, na sua avaliação, a incapacidade do Brasil de conter as duas maiores organizações criminosas do país.
O PCC e o Comando Vermelho são facções brasileiras que, segundo investigações citadas no relatório, atuam em rotas internacionais de tráfico de drogas e armas. A menção a ambas em documento oficial dos EUA não é inédita: relatórios anteriores já haviam citado o PCC em listas de organizações com atuação transnacional, mas a inclusão do CV no mesmo parágrafo e a crítica direta ao governo brasileiro marcam um tom mais duro.
Para especialistas em segurança pública, a declaração de Trump precisa ser lida com cautela. O documento não apresenta dados novos sobre o combate às facções no Brasil, e sim uma avaliação política do governo norte-americano. A crítica ocorre em um momento de tensão comercial entre os dois países, o que pode influenciar o teor do relatório.
No Brasil, o Ministério da Justiça e Segurança Pública não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. A pasta tem destacado operações recentes contra o PCC e o CV, mas não há, no documento norte-americano, menção a resultados específicos dessas ações.
O episódio reacende o debate sobre cooperação internacional no combate ao crime organizado. O Brasil participa de acordos de extradição e compartilhamento de inteligência com os EUA, mas a eficácia desses mecanismos depende de ações conjuntas que vão além de declarações políticas.