Rayta Silva de Castro: educação e memória de Manhuaçu
Rayta Silva de Castro reuniu em uma só trajetória a educação, a palavra escrita e a memória cultural de Manhuaçu, no interior de Minas. Professora por vocação, escritora e poetisa, comunicadora e agente cultural, ela atravessou décadas registrando personagens, acontecimentos e valores da sociedade manhuaçuense. Sua biografia se confunde, em vários momentos, com a própria história cultural e jornalística da cidade nas últimas décadas do século XX e no início do XXI.
O que mudou na compreensão dessa trajetória foi o acesso a documentos preservados pela Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Eles revelam uma presença constante do nome de Rayta nas páginas do histórico Jornal Tribuna do Leste, e não apenas como colaboradora eventual. Edições do periódico registram Rayta Silva Castro entre os integrantes da equipe de Reportagens, ao lado de Wagner Orlandi dos Santos e Manoel Himelfarb, sob a direção de Padre Júlio Pessoa Franco.
A coluna SO-CI-FALA e a Manhuaçu das páginas de jornal
Um dos principais símbolos de sua atuação jornalística foi a coluna SO-CI-FALA. O espaço dialogava com o universo das tradicionais colunas sociais, mas tinha abrangência maior: Rayta escrevia sobre famílias, aniversários, casamentos e personalidades, e também sobre espiritualidade, educação, comportamento humano, cidadania, meio ambiente, solidariedade, instituições de serviço e acontecimentos comunitários.
Já na edição especial de Natal de 1981 do Tribuna do Leste, a coluna aparece assinada por Rayta Silva de Castro. Em abril de 1982, o texto tratava de mudança pessoal, serenidade e responsabilidade individual. Em junho daquele ano, publicou reflexão sobre autoconhecimento e convivência, e, na mesma página, registrou acontecimentos do Lions Clube, serviços de saúde e personagens da sociedade local.
Do registro social à causa coletiva
Na edição de 27 de junho de 1982, Rayta relacionava desenvolvimento pessoal à autoconfiança enquanto registrava acontecimentos sociais da cidade. Em julho, documentou a posse de uma nova diretoria do Lions Clube de Manhuaçu, com lideranças locais e representantes de clubes da região. Em 8 de agosto de 1982, a SO-CI-FALA registra iniciativa de preservação do meio ambiente organizada a partir de reunião no Cineclube, com o Tribuna do Leste e a colunista à disposição da campanha.
A religiosidade aparece como outro eixo da produção. Em setembro de 1982, o tema foi renovação espiritual e fé cristã. Em novembro, a gratidão. Em dezembro, a felicidade, combinando aconselhamento, espiritualidade e registro comunitário. Suas páginas também dialogavam com Lions Clube, Rotary, Casa da Amizade e organizações assistenciais.
Em edições do início da década de 1980, Rayta aparece nominalmente no setor de Reportagens do Tribuna do Leste. O detalhe documental situa sua contribuição dentro da estrutura profissional do periódico, para além da denominação de colunista. É essa passagem pela redação que reforça o que a pesquisa documental agora revela: uma profissional que participou da consolidação de um veículo fundamental para a comunicação da região. O próximo passo é a ampliação do acervo disponível para consulta pública, de modo que outras gerações possam ler, nas páginas amareladas do jornal, a Manhuaçu que Rayta ajudou a escrever.