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Samarco e UFV geram dados inéditos para conservação de 22 espécies ameaçadas na Bacia do Rio Doce

ResumoA parceria Samarco e UFV gerou dados inéditos sobre 22 espécies ameaçadas na Bacia do Rio Doce, embasando a criação de quatro leis municipais de proteção à biodiversidade em Minas Gerais. O estudo amplia o conhecimento científico sobre a fauna e flora locais, fornecendo subsídios objetivos para políticas públicas de conservação ambiental na região.

Uma parceria entre a Samarco e a UFV gerou conhecimento inédito sobre 22 espécies ameaçadas na Bacia do Rio Doce e embasou a criação de quatro leis municipais de proteção à biodiversidade em Minas Gerais.

Vânia Drummond
Vânia Drummond Repórter de Cultura Mineira · 03 de agosto de 2026 · 5 min de leitura
Samarco e UFV geram dados inéditos para conservação de 22 espécies ameaçadas na Bacia do Rio Doce

Parceria entre Samarco e UFV gera dados inéditos para conservação de 22 espécies ameaçadas na Bacia do Rio Doce

Uma parceria entre a Samarco e a Universidade Federal de Viçosa (UFV) gerou conhecimento inédito sobre 22 espécies ameaçadas de extinção na Bacia do Rio Doce. O projeto, concluído em maio deste ano, também contribuiu para a criação de quatro leis municipais de proteção à biodiversidade em Minas Gerais.

A parceria entre Samarco e UFV gerou dados inéditos sobre 22 espécies ameaçadas na Bacia do Rio Doce, incluindo aves e mamíferos terrestres. O projeto de quatro anos embasou quatro leis municipais de proteção à biodiversidade em MG e fortaleceu o manejo dos saguis-da-serra.

O que o projeto de quatro anos entregou para a Bacia do Rio Doce

A iniciativa "Conservação e manejo de espécies da fauna ameaçadas de extinção na bacia do rio Doce, Minas Gerais" integrou as ações de reparação ambiental realizadas pela Samarco no âmbito do Novo Acordo do Rio Doce. Os resultados foram apresentados durante a reunião de encerramento da iniciativa.

O trabalho reuniu pesquisadores, estudantes e especialistas em conservação para estudar espécies de aves e mamíferos terrestres classificadas em diferentes níveis de ameaça de extinção.

Três eixos estratégicos guiaram a pesquisa

Sob a coordenação do Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra (CCSS) da UFV, os trabalhos foram divididos em três grandes eixos estratégicos.

Pesquisa e conservação da fauna do Alto e Médio Rio Doce

Um dos eixos concentrou-se na pesquisa e conservação da fauna do Alto e Médio Rio Doce, incluindo o Parque Estadual Sete Salões e áreas do entorno.

Conservação dos saguis-da-serra

Outro eixo foi dedicado à conservação dos saguis-da-serra (Callithrix aurita) e dos saguis-da-serra-escuros (Callithrix flaviceps), por meio de ações realizadas tanto em ambiente natural quanto em estruturas especializadas de manejo. A iniciativa também contemplou estratégias para o controle de híbridos dessas espécies.

Ciência cidadã e educação ambiental

A terceira frente promoveu atividades de ciência cidadã, educação ambiental e ecoturismo, aproximando comunidades locais das ações de conservação e incentivando a participação da população na proteção da biodiversidade regional.

Dados inéditos sobre distribuição geográfica das espécies

Entre os principais resultados está a geração de informações inéditas sobre a distribuição geográfica das espécies estudadas. Os dados produzem uma base técnica que poderá orientar futuras ações de monitoramento, manejo, resgate e conservação da fauna na Bacia do Rio Doce.

O projeto também fortaleceu a infraestrutura do criadouro do Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra, ampliando sua capacidade para receber e manejar primatas ameaçados de extinção. Além disso, contribuiu para a formação de recursos humanos especializados, por meio da capacitação de pesquisadores e estudantes de pós-graduação envolvidos nas atividades.

Quatro leis municipais reconheceram os saguis como patrimônio

As informações produzidas pela UFV foram importantes para mobilizar a população local e contribuir para a aprovação de quatro leis municipais que reconheceram os saguis-da-serra como patrimônio da biodiversidade em Itueta, Santa Rita do Itueto, Resplendor e Conselheiro Pena, em Minas Gerais.

Parte dos dados gerados também passou a integrar oficialmente o Programa de Manejo Populacional dos Saguis, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ampliando o alcance e a aplicação das informações produzidas pelo estudo.

O que dizem os especialistas sobre o legado do projeto

Para Andressa Gatti, especialista do projeto pela Samarco, a parceria demonstra a importância da ciência para a conservação da biodiversidade. "Os resultados alcançados mostram como o conhecimento científico pode contribuir diretamente para a proteção de espécies ameaçadas e para o planejamento de ações de conservação de longo prazo. Ao apoiar pesquisas como esta, fortalecemos a geração de conhecimento e deixamos um legado de construção de conhecimento para a Bacia do Rio Doce", afirma.

O coordenador do CCSS e professor da UFV, Dr. Fabiano R. de Melo, destaca o alcance dos resultados obtidos. "Conseguimos transpor os muros da universidade e conectar a pesquisa pura à formulação de políticas públicas de conservação. O fortalecimento do criadouro e a delimitação das áreas prioritárias para o manejo dos saguis-da-serra garantem uma base sólida para a sobrevivência desses primatas. O apoio logístico e financeiro ao longo desses anos permitiu à UFV e às próprias agências federais, como o ICMBio, estabelecerem um novo patamar de governança ecológica para a fauna mineira", destaca.

O que a pesquisa científica muda na prática para a recuperação do Rio Doce

A iniciativa reforça o papel da pesquisa científica como ferramenta para a conservação da biodiversidade e para o desenvolvimento de estratégias de gestão ambiental baseadas em evidências, contribuindo para a recuperação e a preservação dos ecossistemas da Bacia do Rio Doce.

Para quem vive na região ou acompanha a recuperação da bacia, o projeto deixa um caminho concreto: os dados gerados agora servem de base para decisões futuras de manejo e conservação. E as leis municipais aprovadas mostram que a ciência pode, sim, virar política pública.

Perguntas Frequentes

Quais espécies foram estudadas no projeto?

O projeto estudou espécies de aves e mamíferos terrestres classificadas em diferentes níveis de ameaça de extinção, incluindo os saguis-da-serra (Callithrix aurita) e os saguis-da-serra-escuros (Callithrix flaviceps).

Quais cidades aprovaram leis de proteção aos saguis?

Itueta, Santa Rita do Itueto, Resplendor e Conselheiro Pena, em Minas Gerais, aprovaram leis que reconhecem os saguis-da-serra como patrimônio da biodiversidade.

Quem coordenou o projeto?

O projeto foi coordenado pelo Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra (CCSS) da UFV, sob a liderança do professor Dr. Fabiano R. de Melo.

O que aconteceu com os dados gerados?

Parte dos dados passou a integrar oficialmente o Programa de Manejo Populacional dos Saguis, coordenado pelo ICMBio.

Quando o projeto foi concluído?

O projeto foi concluído em maio deste ano, com os resultados apresentados na reunião de encerramento da iniciativa.

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