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Nova espécie de peixe do Piauí viveu há 280 milhões de anos

ResumoA espécie Nazaria limnica é um peixe fóssil de cerca de 20 centímetros que viveu há aproximadamente 280 milhões de anos, no Período Permiano, em um lago de água alcalina. Fósseis de Nazaria limnica foram encontrados em Nazária, município a 60 quilômetros de Teresina, no Piauí.

Fósseis encontrados em Nazária, a 60 km de Teresina, permitiram identificar a Nazaria limnica, peixe de cerca de 20 centímetros que viveu há 280 milhões de anos em um lago de água alcalina no Período Permiano.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 10 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Nova espécie de peixe do Piauí viveu há 280 milhões de anos

Uma nova espécie de peixe que viveu há cerca de 280 milhões de anos foi identificada por pesquisadores a partir de fósseis encontrados em Nazária, a cerca de 60 quilômetros ao sul de Teresina. O animal, que media aproximadamente 20 centímetros de comprimento, recebeu o nome de Nazaria limnica.

A identificação partiu de dois fósseis achados no mesmo dia, em março de 2018, durante uma expedição no município. Um dos exemplares preserva o crânio e parte do corpo do peixe. O outro traz parte do corpo e a cauda. Juntos, os vestígios permitem conhecer quase todo o esqueleto do animal.

O estudo teve a participação do professor Juan Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), e foi conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores. A pesquisa foi publicada na revista científica Journal of Vertebrate Palaeontology.

Segundo o professor Juan Cisneros, da UFPI, a espécie viveu durante o Período Permiano, na Era Paleozoica, quando a região que hoje corresponde ao Piauí tinha características muito diferentes das atuais. Na época, havia um grande lago de água alcalina habitado por diferentes espécies.

A Nazaria limnica se alimentava de pequenos crustáceos que viviam no fundo desse lago. Ao mesmo tempo, também servia de alimento para animais maiores, o que a colocava em uma posição intermediária na cadeia alimentar daquele ambiente.

O que os fósseis revelam sobre o passado do Piauí

O achado em Nazária reforça o papel do interior do Piauí na paleontologia brasileira. A região já é conhecida por concentrar vestígios de fauna e flora antigas, e a descrição de uma nova espécie ajuda a reconstruir como era o ecossistema local há milhões de anos.

Para quem mora no estado, o dado tem uma leitura prática: o patrimônio fossilífero é finito e depende de preservação. A identificação da Nazaria limnica só foi possível porque os dois exemplares chegaram inteiros aos pesquisadores, o que nem sempre acontece.

O que muda para a pesquisa no estado

A publicação em revista internacional dá visibilidade ao trabalho feito na UFPI e tende a atrair novas expedições para a região. O estudo também serve de base para comparações com outras espécies do Permiano já descritas em outras partes do mundo.

Não há, até o momento, indicação de que a descoberta tenha impacto direto na rotina dos moradores de Nazária. O efeito mais concreto é científico: ampliar o conhecimento sobre a fauna que ocupou o território piauiense antes da formação dos continentes como os conhecemos hoje.

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