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Karen da Dinamarca: quem foi a baronesa escritora

Karen da Dinamarca é o nome pelo qual ficou conhecida Karen Blixen, escritora dinamarquesa que trocou os cafés de Copenhagen por uma plantação de café no Quênia. Aos 28 anos, ela circulava pelas altas rodas da aristocracia dinamarquesa na virada do século XX. O luxo dos vestidos de baile e as noites na ópera escondiam uma vida difícil: o pai, militar e sifilítico, suicidara-se e deixara a família à míngua. A mãe penava para criar Karen e mais cinco filhos.

Karen Blixen, a Karen da Dinamarca, foi uma escritora dinamarquesa que viveu no Quênia entre 1914 e 1931. Após o divórcio e a falência da plantação de café, voltou à Dinamarca e publicou A Fazenda Africana em 1937, assinando como Isak Dinesen. O livro virou best-seller na Dinamarca, na Europa e nas Américas.

Em 1914, talvez em busca de uma saída para as dificuldades, Karen aceitou casar-se com um primo, o barão sueco Bror von Blixen-Finecke. Ele já era dono de uma imensa plantação de café no Quênia, e para lá foi o casal. A África daquele tempo era vista como selvagem, inóspita e sob o jugo de vários países europeus. A felicidade durou pouco: Karen logo percebeu que Bror era mulherengo e passava longos períodos afastado, em safáris e campanhas militares. Em um ano, contraiu sífilis, provavelmente de Bror ou herdada do pai, não se sabe ao certo.

Divorciada, forte e altiva, manteve-se no Quênia e tentou tocar a plantação sozinha. Numa festa em Nairobi, conheceu e se apaixonou por Denys Hatton, caçador e piloto do exército britânico. Viveram juntos por cinco anos. Karen engravidou duas vezes, mas perdeu os bebês, provavelmente por conta da saúde frágil. Um dos prazeres do casal era sobrevoar as colinas Ngong ao pôr-do-sol. Em 1931, veio a tragédia: exatamente ali Denys espatifou seu biplano Gipsy Moth e não sobreviveu. Karen o sepultou nas colinas tão amadas. A plantação de café, endividada, acabou falindo e a forçou a abandonar a África e retornar à terra natal aos 46 anos.

O retorno não encerrou sua história. Karen encontrou ânimo para contar o que viveu, escrevendo um livro que começava com a frase "Eu tinha uma fazenda na África". Ao assiná-lo, adotou o pseudônimo Isak Dinesen, nome masculino, porque o universo editorial de então menosprezava as escritoras. A Fazenda Africana, lançado em 1937, tornou-se best-seller na Dinamarca e também no resto da Europa e nas Américas. Foi o primeiro de uma série de obras que consagraram seu estilo intimista. Ela faleceu em 1962, deixando outros sucessos como Contos de Inverno, Sombras na Relva e A Festa de Babette.

Em 1985, o diretor norte-americano Sydney Pollack adaptou A Fazenda Africana para o cinema com o título Entre Dois Amores, protagonizado por Meryl Streep e Robert Redford. Audrey Hepburn, primeira opção para o papel de Karen, recusou o convite. Nos bastidores, quando Karen enfrenta um leão com um chicote, Meryl foi informada de que o animal estaria preso pela pata traseira. Na hora da filmagem, o bicho escapou e chegou muito perto dela. O medo da atriz, genuíno, marcou a cena. Em outra sequência, um besouro imenso entrou na sua roupa, mas Meryl continuou atuando. Só depois que Pollack gritou "corta!" ela rasgou a blusa, apavorada. O filme ganhou vários Oscars.

Quem se interessa por essa história pode buscar A Fazenda Africana nas livrarias e revisitar Entre Dois Amores nas plataformas de streaming. Vale conhecer também os contos de Isak Dinesen, que seguem sendo publicados no Brasil.

Vânia Drummond
Repórter de Cultura Mineira
De Ouro Preto, cobre cultura e patrimônio de Minas, do barroco ao festival de inverno com olhar afetivo.
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