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Grupos de WhatsApp: o que revelam sobre família e escola

Recebi o convite para o grupo de WhatsApp dos pais da sala do meu filho e aceitei, pensando que ia me ajudar a acompanhar as coisas da escola. Cinco horas depois, 352 mensagens. Tentei me inteirar e terminei sem saber se estávamos organizando uma festa, articulando um abaixo-assinado para trocar de professora ou se meu filho era o culpado pelo sumiço do agasalho do Enzo. Quem nunca?

Os grupos de WhatsApp se tornaram o corredor digital onde os pais se encontram e tentam criar comunidade. Eles ocupam hoje o lugar que era das associações de pais. Em teoria, são eficientes pela comunicação instantânea. Na prática, sem autorregulamentação, acabam desinformando mais do que ajudando. Não raro, viram espaço para insatisfações pessoais com a escola ou disputas ideológicas que pouco têm a ver com o cotidiano escolar.

Massimo Di Felice, em "A cidadania digital" (Paulus, 2021), observa que vivemos em um "infomundo", uma rede de redes onde não habitamos apenas espaços físicos, mas uma territorialidade informatizada. Nessa nova praça, todos ganham voz, mas sem o necessário lastro com a verdade objetiva. O senso comum ganha protagonismo.

O layout dos aplicativos é mais propício ao embate do que ao diálogo. Sem regras claras, qualquer grupo vira um cortejo em que cada um caminha aos gritos, com megafone na mão. Mas, sendo realidade quase incontornável, mais produtivo que lutar contra os grupos é pensar condições para que contribuam de verdade. Primeiro passo: regras claras, construídas coletivamente e revistas de tempos em tempos. Segundo: que não substituam os canais oficiais da escola; questões pessoais se resolvem no tête-à-tête. Terceiro e mais importante: o grupo não deve substituir a comunidade real. A solidão virou endêmica, os rostos viraram telas.

O provérbio africano diz que é necessária uma aldeia para educar uma criança. A aldeia se diluiu, mas a educação não pode ser mero contrato comercial. É formação de comunidade ao redor das crianças. Saber dos pais dos colegas só pelo WhatsApp é péssimo sinal.

No Colégio Loyola, a relação entre famílias, estudantes e educadores é parte essencial do processo educativo, com diálogo, escuta e corresponsabilidade. Inspirado na pedagogia inaciana, busca espaços de convivência que fortaleçam a comunidade educativa. Mais em loyola.g12.br.

como melhorar a comunicação entre escola e família

Inácio Bicalho
Repórter de Interior e Agro
Do Norte de Minas, cobre o sertão mineiro, a seca, o pequeno produtor e as pautas que a capital ignora.
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