Comunidade

Casal conversa, mas nada muda? Veja quando o diálogo não resolve

ResumoAline Cantarelli, terapeuta familiar, afirma que o diálogo entre casais não resolve conflitos quando falta interesse genuíno ou há dificuldade de expressão emocional. A conversa se torna ineficaz se um dos parceiros não está disposto a mudar ou não compreende o próprio sentimento. O problema central não é a comunicação em si, mas a ausência de engajamento real na relação.

Casal conversa, mas nada muda? A terapeuta familiar Aline Cantarelli explica que o problema pode não estar na falta de diálogo, mas na ausência de interesse ou dificuldade de expressão.

Marília Stefani
Marília Stefani Repórter de Segurança Pública · 04 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Casal conversa, mas nada muda? Veja quando o diálogo não resolve

Casal conversa, mas nada muda? Quando o problema vai além do diálogo, a dificuldade pode não estar na compreensão das palavras. Segundo a terapeuta familiar Aline Cantarelli, há casos em que a necessidade foi apresentada, mas não encontrou interesse ou disposição para provocar mudança. Em outros, existe uma dificuldade real para falar sobre sentimentos e enfrentar conflitos.

Queixas como falta de tempo de qualidade, ausência de programas a dois e pouca participação na rotina podem ser compreendidas pelo parceiro. Ainda assim, a conversa nem sempre produz mudanças. Aline usa como exemplo uma pessoa que diz estar infeliz porque o casal deixou de sair junto. Quando a mensagem é compreendida, mas nenhuma atitude muda, o problema pode estar menos nas palavras e mais na ausência de interesse em enfrentar a situação.

"Tem alguma dificuldade no entendimento do que a pessoa está dizendo? Não. Isso é uma falha de comunicação? Provavelmente não", afirma. Segundo a terapeuta, alguns casos revelam falta de aceitação ou de intenção, e não apenas uma conversa mal conduzida.

Também existem pessoas que desejam se comunicar, mas não conseguem sustentar conversas difíceis. Isso pode ocorrer quando cresceram em famílias nas quais sentimentos e conflitos não eram discutidos com naturalidade. Casais formados por pessoas mais introspectivas podem evitar discordâncias e acumular assuntos que nunca são aprofundados. Nesses casos, o silêncio não representa necessariamente desinteresse, mas uma dificuldade de expressão que precisa ser reconhecida.

O alerta aparece quando alguns comportamentos se repetem: um dos parceiros compreende a queixa, mas não demonstra disposição para enfrentá-la; as conversas mais profundas são evitadas; uma das pessoas tem dificuldade para dizer o que sente; o diálogo se limita a tarefas e contas; celulares ocupam os momentos juntos; a intimidade emocional e sexual começa a diminuir.

Aline cita situações em que duas pessoas estão juntas em um restaurante, mas cada uma permanece concentrada no próprio celular. O casal divide o espaço físico, mas deixa de acompanhar a vida de quem está ao lado. Esse afastamento também pode chegar à vida sexual. "Às vezes nem se falam. O casal passou o dia inteiro sem se falar e depois reclama da libido lá na frente", comenta.

O primeiro passo é identificar qual dificuldade está presente: o casal não consegue expressar suas necessidades ou um dos parceiros já entendeu o problema e não demonstra interesse em mudar? Quando existe dificuldade de expressão, o acompanhamento pode ajudar a organizar o que precisa ser dito. Conversar melhor também exige treino.

Aline propõe que o casal reserve diariamente um período de atenção focada, sem celular ou televisão. Ela chama a prática de "15 minutos milagrosos". Durante esse tempo, os parceiros podem conversar, permanecer abraçados ou apenas compartilhar o momento. A proposta não é resolver todos os conflitos em poucos minutos, mas recuperar a presença e criar um espaço constante para a relação.

// Leia também

Publicidade