Tucano recupera a visão após atropelamento na BR-040, em Petrópolis
Um tucano atropelado na BR-040, em Petrópolis, perdeu a visão e foi submetido a uma cirurgia inédita no Rio de Janeiro. O caso mobilizou veterinários e biólogos, e após semanas de tratamento, a ave voltou a enxergar. Saiba como foi o resgate e a recuperação.
Tucano recupera a visão após atropelamento na BR-040, em Petrópolis
Um tucano atropelado na BR-040, em Petrópolis, perdeu a visão e foi submetido a uma cirurgia inédita no Rio de Janeiro. Após semanas de tratamento, a ave voltou a enxergar. O caso mobilizou veterinários e biólogos, e a recuperação foi considerada um marco na medicina veterinária de fauna silvestre.
O resgate do tucano na BR-040
No dia 12 de março de 2026, um tucano foi encontrado caído às margens da BR-040, no km 82, em Petrópolis. Ele havia sido atropelado por um veículo não identificado. O resgate foi feito por uma equipe do Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do estado do Rio de Janeiro, que o encaminhou para o Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
O animal apresentava múltiplas fraturas no crânio e hemorragia intraocular. "Ele estava desorientado, com os olhos opacos. Mal conseguia se equilibrar", relata a veterinária Dra. Carla Menezes, que coordenou o atendimento.
A perda da visão e o diagnóstico
Após os primeiros exames, constatou-se que o tucano havia perdido a visão em ambos os olhos. O trauma havia deslocado o cristalino e causado catarata traumática. "Sem a cirurgia, ele jamais voltaria a enxergar", explica o oftalmologista veterinário Dr. Ricardo Lopes, responsável pelo procedimento.
O caso era raro: não há registros de cirurgia intraocular em tucanos na literatura veterinária brasileira. A equipe decidiu realizar o implante de uma lente intraocular, técnica comum em cães e gatos, mas nunca testada em aves da família Ramphastidae.
A cirurgia inédita no Rio de Janeiro
A cirurgia ocorreu no dia 2 de abril de 2026, no Hospital Veterinário da UFRRJ. Durou cerca de 4 horas e contou com uma equipe de 6 profissionais. O tucano recebeu anestesia inalatória e foi monitorado por um cardiologista veterinário.
O procedimento consistiu na remoção do cristalino danificado e no implante de uma lente de silicone, adaptada ao tamanho do olho da ave. "Foi como fazer uma cirurgia de catarata em um humano, mas com a anatomia de um pássaro", detalha o Dr. Lopes.
A recuperação da visão
Após a cirurgia, o tucano passou por um período de reabilitação de 30 dias. Ele recebeu medicação anti-inflamatória e antibióticos. Aos poucos, começou a responder a estímulos visuais.
"Na terceira semana, ele já bicava frutas sozinho. Foi emocionante ver a luz voltar aos olhos dele", conta a bióloga Ana Paula Santos, do CETAS. Em maio de 2026, a ave foi considerada apta para retorno à natureza.
A soltura e o futuro na natureza
No dia 15 de maio de 2026, o tucano foi solto na Reserva Biológica de Tinguá, em Nova Iguaçu, área de Mata Atlântica protegida. A escolha do local levou em conta a disponibilidade de alimento e a baixa presença de predadores.
"Ver ele voar foi a recompensa de meses de trabalho. Ele está enxergando perfeitamente", afirma a Dra. Carla. O biólogo responsável pela soltura, João Batista, acompanhou o voo por 20 minutos. "Ele mergulhou entre as árvores, bicou frutos. Estava em casa."
O impacto do atropelamento na fauna silvestre
O caso do tucano na BR-040 não é isolado. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) indicam que, em 2025, foram registrados 2.347 atropelamentos de aves silvestres em rodovias federais do estado do Rio de Janeiro. A BR-040 é uma das rodovias com maior incidência, especialmente no trecho entre Petrópolis e Duque de Caxias.
"O atropelamento de fauna é um dos maiores impactos ambientais das rodovias", afirma o biólogo Dr. Marcos Vinícius, coordenador do Programa de Monitoramento de Fauna da UFRRJ. "Medidas como passagens de fauna subterrâneas e redutores de velocidade são urgentes."
Perguntas Frequentes
O tucano recuperou totalmente a visão?
Sim. Após a cirurgia e reabilitação, a ave passou a enxergar normalmente, sendo capaz de se alimentar e voar sem dificuldade.
Onde o tucano foi solto?
Na Reserva Biológica de Tinguá, em Nova Iguaçu, região de Mata Atlântica protegida.
Quem realizou a cirurgia?
A equipe do Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), coordenada pela veterinária Dra. Carla Menezes e pelo oftalmologista Dr. Ricardo Lopes.
Quantos atropelamentos de aves ocorrem nas rodovias do Rio?
Em 2025, foram 2.347 registros de aves silvestres atropeladas em rodovias federais do estado, segundo o Ibama.
O que pode ser feito para evitar atropelamentos?
Passagens de fauna subterrâneas, redutores de velocidade e sinalização específica são medidas eficazes. O Ibama e a ANTT discutem a implantação em trechos críticos da BR-040.