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Banco Master e STF: relações expostas exigem explicações

O escândalo envolvendo o Banco Master deixou de ser apenas um problema bancário. Revelações sobre a relação de Daniel Vorcaro, dono do banco, com ministros do Supremo Tribunal Federal expõem um ambiente de proximidade entre poder econômico e integrantes da mais alta Corte do país que precisa ser explicado até o último detalhe.

Mensagens e áudios extraídos do celular de Vorcaro mostram uma articulação para aproximar o banqueiro do ministro André Mendonça. Um advogado chegou a dizer que estava "trabalhando" para Vorcaro enquanto acompanhava Mendonça a uma alfaiataria. Em outro momento, afirmou ter deixado o ministro "balançado" ao tratar de um assunto relacionado à situação do Banco Master no Banco Central.

A aproximação culminou em uma reunião em 14 de março de 2025. O deputado Cezinha de Madureira passou horário e endereço a Vorcaro e, quando o banqueiro estava a caminho, avisou: "Ministro já está te esperando". Os registros indicam que Vorcaro permaneceu aproximadamente duas horas no local, onde funciona um instituto fundado por Mendonça.

André Mendonça não é o único ministro do Supremo cujo nome aparece nessa teia. Reportagens baseadas em material da Polícia Federal apontam que Vorcaro teria mantido relação de proximidade também com Alexandre de Moraes. Mensagens analisadas pela PF indicariam pelo menos seis encontros entre os dois. A investigação também encontrou comunicações que, segundo a PF, sugerem que Vorcaro buscava utilizar essa proximidade enquanto aumentava a pressão das investigações sobre ele.

Há ainda um elemento particularmente delicado: o escritório comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, manteve contrato milionário com o Banco Master. O documento previa aproximadamente R$ 131 milhões em honorários ao longo de três anos. Metadados analisados na investigação indicaram que a versão final do contrato passou por um perfil identificado como "Ministro Alexandre de Moraes". O próprio escritório confirmou que Moraes teve acesso ao documento, afirmando que ele foi consultado para verificar a existência de eventuais impedimentos legais para a contratação.

Nada disso, isoladamente, autoriza afirmar que André Mendonça ou Alexandre de Moraes tenham vendido decisões, recebido propina ou praticado crime. No caso de Mendonça, seu gabinete afirma que o encontro tratou de processo que tramitava no Supremo e ressalta que a posição posteriormente adotada pelo ministro foi contrária aos interesses defendidos pelo empresário.

O brasileiro comum não consegue telefonar para um ministro do Supremo. Não tem deputado para abrir portas. Não conta com intermediários anunciando que estão "trabalhando" enquanto circulam ao lado de magistrados. Muito menos possui milhões para contratar escritórios ligados às famílias de integrantes da Corte.

Quando um banqueiro poderoso consegue transitar por esse ambiente com tamanha facilidade, a discussão não pode ser reduzida à pergunta: "houve crime?" Existe uma questão anterior: é aceitável que integrantes da mais alta Corte mantenham esse grau de proximidade com empresários cujos interesses econômicos podem alcançar instituições do Estado?

O Supremo exige respeito às suas decisões. É legítimo. Mas respeito institucional não pode significar silêncio diante de situações constrangedoras. Transparência não pode ser obrigação apenas dos outros Poderes. André Mendonça precisa explicar completamente as circunstâncias de sua relação e dos encontros com Vorcaro. Alexandre de Moraes precisa responder de maneira igualmente transparente às questões envolvendo seus contatos com o banqueiro e o contrato milionário firmado pelo Banco Master com o escritório de sua esposa. Não se combate suspeita escondendo-a debaixo da toga. investigações da Polícia Federal transparência no Judiciário

Marília Stefani
Repórter de Segurança Pública
De Betim, cobre segurança pública em MG com dado, contexto e cuidado para não alimentar o pânico.
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