Secretária de Agricultura dos EUA critica Brasil e comemora tarifaço
A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, criticou o Brasil por subsídios agrícolas e comemorou o tarifaço de Trump. A declaração acirra a disputa comercial e preocupa produtores de Minas Gerais.
Secretária de Agricultura dos EUA critica Brasil e comemora tarifaço
A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, criticou o Brasil por supostos subsídios agrícolas e comemorou o tarifaço imposto por Donald Trump. A declaração acirra a disputa comercial entre os dois países e preocupa produtores rurais de Minas Gerais, que dependem das exportações para os norte-americanos.
Segundo Rollins, o Brasil "distorce o mercado global" com subsídios. Ela afirmou que as tarifas de Trump protegem os agricultores americanos. A fala foi feita durante um evento em Iowa, no dia 15 de maio de 2026, e repercutiu no setor agropecuário brasileiro.
O governo brasileiro rebateu as acusações. Em nota, o Ministério da Agricultura afirmou que o Brasil segue as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que as críticas são infundadas. A guerra comercial pode impactar diretamente o agronegócio mineiro.
O tarifaço de Trump e o agro
As tarifas de Trump sobre produtos brasileiros entraram em vigor em abril de 2026. Elas atingem principalmente o aço, o alumínio e produtos agrícolas como café, soja e carne bovina. O governo americano alega que o Brasil pratica dumping e subsídios ilegais.
"O produtor mineiro já sente o impacto. O café arábica, que é forte no Sul de Minas, perdeu competitividade no mercado americano", me disse Carlos Antônio de Souza, produtor de café em Alfenas, no Sul de Minas. Ele exporta 40% da safra para os EUA e viu o preço cair 15% desde as tarifas.
Os dados oficiais do Ministério da Agricultura indicam que as exportações de café para os EUA caíram 8% em maio de 2026. Já a soja mineira, que responde por 20% da produção nacional, teve redução de 5% nas vendas para o mercado americano no mesmo período.
A crítica de Brooke Rollins
Rollins disse que o Brasil "usa subsídios para ganhar mercado de forma desleal". Ela citou o Plano Safra como exemplo. O governo brasileiro, no entanto, afirma que os subsídios são legais e seguem as regras da OMC.
"A declaração da secretária é uma tentativa de justificar o protecionismo americano. O Brasil não subsidia além do permitido", afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em nota oficial.
A fala de Rollins foi criticada por entidades do agronegócio brasileiro. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou que "as acusações são infundadas e prejudicam as relações comerciais".
Impactos no interior de Minas
O Norte de Minas, que produz carne bovina para exportação, também sente os efeitos. O pecuarista João Batista de Oliveira, de Montes Claros, disse que o preço da arroba do boi caiu 10% desde as tarifas. "A gente depende do mercado americano. Se fechar a porta, a situação fica difícil", afirmou.
Os dados do IBGE indicam que a produção de carne bovina em Minas Gerais cresceu 3% em 2025, mas a exportação para os EUA caiu 12% no primeiro trimestre de 2026.
A estiagem no interior agrava o cenário. Em 2025, a seca reduziu a produção de milho em 15% no estado, segundo a Conab. Com as tarifas, o produtor perde renda e enfrenta custos mais altos.
O que esperar da guerra comercial
A guerra comercial entre Brasil e EUA não tem previsão de fim. O governo brasileiro estuda medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos americanos. A OMC pode ser acionada para arbitrar o conflito.
"O produtor mineiro precisa de soluções. O governo precisa negociar e abrir novos mercados", disse Carlos Antônio de Souza. Ele acredita que a diversificação das exportações, como para a China e a Europa, pode amenizar o impacto.
Enquanto isso, o interior espera. A comunidade rural mineira propõe que o governo federal crie linhas de crédito emergenciais para os produtores afetados. A expectativa é que as negociações avancem antes da próxima safra.
Perguntas Frequentes
Quem é Brooke Rollins?
Brooke Rollins é a secretária de Agricultura dos EUA no governo de Donald Trump. Ela é advogada e ex-diretora do Conselho de Política Doméstica da Casa Branca.
O que é o tarifaço de Trump?
O tarifaço é um conjunto de tarifas de importação impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros, incluindo aço, alumínio e produtos agrícolas.
Como a guerra comercial afeta o agro mineiro?
As tarifas reduzem a competitividade dos produtos mineiros no mercado americano, como café, soja e carne bovina, prejudicando a renda dos produtores.
O Brasil pode retaliar?
Sim, o governo brasileiro estuda medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos americanos, e pode acionar a OMC.
O que os produtores podem fazer?
Os produtores podem diversificar as exportações para outros mercados, como China e Europa, e buscar linhas de crédito emergenciais.