CapaCidade
Cidade

Secretária de Agricultura dos EUA critica Brasil e comemora tarifaço

ResumoA secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, criticou subsídios agrícolas brasileiros e elogiou o tarifaço do governo Trump. A declaração intensifica a disputa comercial entre os países e gera preocupação entre produtores de Minas Gerais. A posição americana pode impactar exportações brasileiras e elevar tensões no setor agropecuário.

A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, criticou o Brasil por subsídios agrícolas e comemorou o tarifaço de Trump. A declaração acirra a disputa comercial e preocupa produtores de Minas Gerais.

Inácio Bicalho
Inácio Bicalho Repórter de Interior e Agro · 17 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Secretária de Agricultura dos EUA critica Brasil e comemora tarifaço

Secretária de Agricultura dos EUA critica Brasil e comemora tarifaço

A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, criticou o Brasil por supostos subsídios agrícolas e comemorou o tarifaço imposto por Donald Trump. A declaração acirra a disputa comercial entre os dois países e preocupa produtores rurais de Minas Gerais, que dependem das exportações para os norte-americanos.

Segundo Rollins, o Brasil "distorce o mercado global" com subsídios. Ela afirmou que as tarifas de Trump protegem os agricultores americanos. A fala foi feita durante um evento em Iowa, no dia 15 de maio de 2026, e repercutiu no setor agropecuário brasileiro.

O governo brasileiro rebateu as acusações. Em nota, o Ministério da Agricultura afirmou que o Brasil segue as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que as críticas são infundadas. A guerra comercial pode impactar diretamente o agronegócio mineiro.

O tarifaço de Trump e o agro

As tarifas de Trump sobre produtos brasileiros entraram em vigor em abril de 2026. Elas atingem principalmente o aço, o alumínio e produtos agrícolas como café, soja e carne bovina. O governo americano alega que o Brasil pratica dumping e subsídios ilegais.

"O produtor mineiro já sente o impacto. O café arábica, que é forte no Sul de Minas, perdeu competitividade no mercado americano", me disse Carlos Antônio de Souza, produtor de café em Alfenas, no Sul de Minas. Ele exporta 40% da safra para os EUA e viu o preço cair 15% desde as tarifas.

Os dados oficiais do Ministério da Agricultura indicam que as exportações de café para os EUA caíram 8% em maio de 2026. Já a soja mineira, que responde por 20% da produção nacional, teve redução de 5% nas vendas para o mercado americano no mesmo período.

A crítica de Brooke Rollins

Rollins disse que o Brasil "usa subsídios para ganhar mercado de forma desleal". Ela citou o Plano Safra como exemplo. O governo brasileiro, no entanto, afirma que os subsídios são legais e seguem as regras da OMC.

"A declaração da secretária é uma tentativa de justificar o protecionismo americano. O Brasil não subsidia além do permitido", afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em nota oficial.

A fala de Rollins foi criticada por entidades do agronegócio brasileiro. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou que "as acusações são infundadas e prejudicam as relações comerciais".

Impactos no interior de Minas

O Norte de Minas, que produz carne bovina para exportação, também sente os efeitos. O pecuarista João Batista de Oliveira, de Montes Claros, disse que o preço da arroba do boi caiu 10% desde as tarifas. "A gente depende do mercado americano. Se fechar a porta, a situação fica difícil", afirmou.

Os dados do IBGE indicam que a produção de carne bovina em Minas Gerais cresceu 3% em 2025, mas a exportação para os EUA caiu 12% no primeiro trimestre de 2026.

A estiagem no interior agrava o cenário. Em 2025, a seca reduziu a produção de milho em 15% no estado, segundo a Conab. Com as tarifas, o produtor perde renda e enfrenta custos mais altos.

O que esperar da guerra comercial

A guerra comercial entre Brasil e EUA não tem previsão de fim. O governo brasileiro estuda medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos americanos. A OMC pode ser acionada para arbitrar o conflito.

"O produtor mineiro precisa de soluções. O governo precisa negociar e abrir novos mercados", disse Carlos Antônio de Souza. Ele acredita que a diversificação das exportações, como para a China e a Europa, pode amenizar o impacto.

Enquanto isso, o interior espera. A comunidade rural mineira propõe que o governo federal crie linhas de crédito emergenciais para os produtores afetados. A expectativa é que as negociações avancem antes da próxima safra.

Perguntas Frequentes

Quem é Brooke Rollins?

Brooke Rollins é a secretária de Agricultura dos EUA no governo de Donald Trump. Ela é advogada e ex-diretora do Conselho de Política Doméstica da Casa Branca.

O que é o tarifaço de Trump?

O tarifaço é um conjunto de tarifas de importação impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros, incluindo aço, alumínio e produtos agrícolas.

Como a guerra comercial afeta o agro mineiro?

As tarifas reduzem a competitividade dos produtos mineiros no mercado americano, como café, soja e carne bovina, prejudicando a renda dos produtores.

O Brasil pode retaliar?

Sim, o governo brasileiro estuda medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos americanos, e pode acionar a OMC.

O que os produtores podem fazer?

Os produtores podem diversificar as exportações para outros mercados, como China e Europa, e buscar linhas de crédito emergenciais.

// Leia também

Publicidade