Sargento teria matado conselheira tutelar a tiros em MG
O corpo da conselheira tutelar Maryna Colucci de Jesus, de 34 anos, foi encontrado nesta terça-feira (25) em uma área rural entre Jacuí e Fortaleza de Minas, no Sul de Minas. Um sargento da Polícia Militar, de 43 anos, foi preso suspeito de envolvimento na morte e teria indicado às equipes o local onde o corpo havia sido enterrado. A versão apresentada pelo militar é de que Maryna o atacou com uma faca antes dos disparos.
Segundo informações, o sargento mantinha um relacionamento amoroso com Maryna há vários anos. Familiares da vítima encontraram diários e agendas com fotografias do militar, além de anotações de conteúdo afetivo. Nas redes sociais, também foram localizadas conversas entre os dois, com mensagens de natureza afetiva e contato frequente ao longo dos anos.
Conforme o relato atribuído ao sargento, na sexta-feira (21), Maryna enviou uma mensagem para ele. Depois, teria apresentado uma crise de ciúmes e enviado áudios em tom alterado. Ela teria ameaçado revelar à esposa dele o relacionamento e pedido que se encontrassem. O militar teria buscado Maryna e os dois seguiram até uma área rural, onde começou uma discussão.
Durante o desentendimento, Maryna teria se apoderado de uma faca e desferido golpes na direção do sargento. Ele teria tentado sair do veículo, mas ela continuaria tentando atingi-lo. O policial teria pego uma arma de fogo e efetuado três ou quatro disparos, que atingiram o rosto da vítima. Maryna teria morrido no local. O militar, em desespero, conduziu o veículo até uma área de mata e enterrou o corpo, a uma profundidade estimada entre 1,5 e 2 metros, segundo a Polícia Civil.
O local foi indicado pelo próprio sargento, que teria levado as equipes até o ponto onde o corpo foi localizado. A região já havia sido apontada anteriormente pelo celular de Maryna. O cunhado dela acessou o aplicativo ligado ao aparelho por meio do e-mail da conselheira, e a localização indicou, por três vezes, um ponto próximo a um açude. Familiares chegaram a fazer buscas por conta própria, mas não encontraram vestígios.
Maryna foi vista pela última vez na sexta-feira (21), quando saiu da casa dos pais usando shorts, camiseta e chinelos, sem maquiagem e com o cabelo preso, comportamento considerado incomum pela família. Uma testemunha teria visto Maryna parada a cerca de 200 metros de casa, aguardando um carro. No sábado (22), ela não compareceu ao trabalho como conselheira tutelar em Jacuí. A Prefeitura informou que ela estava de folga na sexta-feira.
O militar, com cerca de 20 anos de serviço na corporação, foi preso após levantamentos do setor de inteligência da Polícia Militar. A Polícia Civil trabalha inicialmente com a hipótese de crime passional. O corpo foi encaminhado ao IML de São Sebastião do Paraíso para exames que possam auxiliar na identificação da causa da morte. A investigação continua para confrontar a versão do sargento com os demais elementos, incluindo exames periciais e depoimentos.