Parque do Gogo: preservar nossa história e patrimônio arqueológico
O Parque do Gogo, em Mariana, guarda marcas da mineração colonial e da luta pela liberdade. Protegido pelo IPHAN, o local ainda espera organização como parque.
Reconhecer e proteger o Parque do Gogo é preservar nossa história e patrimônio arqueológico. Em Mariana, primeira cidade de Minas, os morros Santo Antônio e Santana formam o parque, uma das regiões mais ricas em ouro no passado. Tombada como patrimônio nacional, Mariana guarda primazias: primeira capital, primeiro bispado, primeiro seminário. Mas o parque, apesar da importância, ainda não tem organização formal.
O viajante inglês Richard Burton, que esteve na região em 1867, registrou em diário a legislação específica da Coroa Portuguesa para o Morro Santana e Santo Antônio. A regra dividia o terreno por pessoa, permitindo que mais gente minerasse e mais impostos fossem cobrados. Isso deu origem a mais de mil buracos de sari e à expressão "cada um no seu quadrado".
O local foi destino de milhares de africanos escravizados que trabalhavam na mineração. Estudar o Parque do Gogo é compreender que a história é formada por diferentes vozes. Resgatar sua memória significa valorizar a luta pela liberdade e reconhecer a contribuição da população negra para a formação do Brasil.
Em 2008, um abaixo-assinado pediu o tombamento do parque, dos morros e da Igreja e Cemitério dos Ingleses. Hoje, o local é protegido como área arqueológica pelo IPHAN, mas não há a organização de um parque. A comunidade espera que o reconhecimento avance para garantir a preservação efetiva desse patrimônio.
patrimônio arqueológico em Minas Gerais
A seca não é notícia só quando vira tragédia; aqui, a falta de estrutura também apaga a memória. Quem vive em Mariana sabe: o Parque do Gogo é um livro aberto sobre o Brasil colonial, e cada buraco de sari conta uma história de trabalho e resistência.