Safras na Europa amadurecem mais cedo com mudanças climáticas
Trigo, milho e colza atingiram maturação e foram colhidos na Europa muito mais cedo em 2026 do que na virada do século. Comissão Europeia aponta antecipação de até 20 dias no trigo.
O milho, a colza e o trigo de inverno atingiram a maturação e foram colhidos na Europa muito mais cedo em 2026 do que na virada do século, mostram dados citados pela CNN Brasil. O aquecimento climático afeta a agricultura em todo o continente, e as safras de 2026 refletem esse impacto de forma direta.
Segundo dados da Comissão Europeia, o trigo de inverno atingiu a maturação em algumas partes da União Europeia 20 dias antes do que em 2000. Intervalos semelhantes foram observados para a colza e o milho. Na prática, quem acompanha o campo sente a mudança no calendário.
"Há mais de 20 anos, estávamos sempre totalmente ocupados com a colheita do milho por volta dos dias 14, 15 ou 16 de setembro. Hoje, praticamente passamos para o início de setembro", disse Hermann Greif, presidente distrital do sindicato dos agricultores da Alta Francônia, na Baviera, à Reuters.
O mesmo ocorre com os cereais. "No passado, costumávamos colher o trigo na segunda semana de agosto, entre os dias 10 e 15. Hoje em dia, às vezes colhemos o trigo já em julho, nos últimos dias do mês", acrescentou Greif.
A Europa é o continente que mais rapidamente se aquece no mundo. Em 2026, várias ondas de calor ocorreram já a partir do final de maio, o que antecipou ainda mais a maturação das culturas.
Sébastien Poncelet, analista sênior da Argus, explica o mecanismo: "O desenvolvimento das plantas é determinado, em grande parte, pelo acúmulo de unidades de calor necessárias para passar de um estágio fisiológico para o seguinte e, por fim, atingir a maturação". Com temperaturas mais altas, mesmo que poucos graus, as culturas acumulam essas unidades mais rápido, acelerando o ciclo e resultando em datas mais precoces de maturação e colheita.
As secas e o calor também afetaram negativamente a quantidade de safras colhidas. Dados do órgão agrícola francês FranceAgriMer, divulgados na sexta-feira, estimaram que apenas 27% da safra de milho em grão estava em condições boas ou excelentes em 31 de agosto, o menor índice desde 2011. O milho foi a cultura que mais sofreu com o clima extremo.
"Algumas culturas que são colhidas mais tarde e cujas fases críticas de crescimento coincidem com as secas da primavera e do verão enfrentam dificuldades significativas", disse Greif, lembrando que essas plantas podem sofrer reduções substanciais no rendimento se a seca chegar quando ainda precisam de água.
O Ministério da Agricultura da França previu queda de 35% na produção de milho em grão em comparação com o ano passado. Analistas esperam que a produção caia cerca de metade, atingindo o nível mais baixo desde 1976. Por trás dos números, há famílias de agricultores que reorganizam o calendário e lidam com a incerteza a cada safra. impacto das mudanças climáticas na agricultura brasileira