CapaCidade
Cidade

Safras na Europa amadurecem mais cedo com mudanças climáticas

ResumoAs safras de trigo, milho e colza na Europa amadureceram e foram colhidas até 20 dias mais cedo em 2026 em comparação com a virada do século. A Comissão Europeia registrou antecipação significativa no ciclo do trigo, atribuída às mudanças climáticas. O fenômeno altera o calendário agrícola continental e exige adaptação dos produtores às novas janelas de colheita.

Trigo, milho e colza atingiram maturação e foram colhidos na Europa muito mais cedo em 2026 do que na virada do século. Comissão Europeia aponta antecipação de até 20 dias no trigo.

Cláudia Resende
Cláudia Resende Repórter de Saúde e Educação · 07 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Safras na Europa amadurecem mais cedo com mudanças climáticas

O milho, a colza e o trigo de inverno atingiram a maturação e foram colhidos na Europa muito mais cedo em 2026 do que na virada do século, mostram dados citados pela CNN Brasil. O aquecimento climático afeta a agricultura em todo o continente, e as safras de 2026 refletem esse impacto de forma direta.

Segundo dados da Comissão Europeia, o trigo de inverno atingiu a maturação em algumas partes da União Europeia 20 dias antes do que em 2000. Intervalos semelhantes foram observados para a colza e o milho. Na prática, quem acompanha o campo sente a mudança no calendário.

"Há mais de 20 anos, estávamos sempre totalmente ocupados com a colheita do milho por volta dos dias 14, 15 ou 16 de setembro. Hoje, praticamente passamos para o início de setembro", disse Hermann Greif, presidente distrital do sindicato dos agricultores da Alta Francônia, na Baviera, à Reuters.

O mesmo ocorre com os cereais. "No passado, costumávamos colher o trigo na segunda semana de agosto, entre os dias 10 e 15. Hoje em dia, às vezes colhemos o trigo já em julho, nos últimos dias do mês", acrescentou Greif.

A Europa é o continente que mais rapidamente se aquece no mundo. Em 2026, várias ondas de calor ocorreram já a partir do final de maio, o que antecipou ainda mais a maturação das culturas.

Sébastien Poncelet, analista sênior da Argus, explica o mecanismo: "O desenvolvimento das plantas é determinado, em grande parte, pelo acúmulo de unidades de calor necessárias para passar de um estágio fisiológico para o seguinte e, por fim, atingir a maturação". Com temperaturas mais altas, mesmo que poucos graus, as culturas acumulam essas unidades mais rápido, acelerando o ciclo e resultando em datas mais precoces de maturação e colheita.

As secas e o calor também afetaram negativamente a quantidade de safras colhidas. Dados do órgão agrícola francês FranceAgriMer, divulgados na sexta-feira, estimaram que apenas 27% da safra de milho em grão estava em condições boas ou excelentes em 31 de agosto, o menor índice desde 2011. O milho foi a cultura que mais sofreu com o clima extremo.

"Algumas culturas que são colhidas mais tarde e cujas fases críticas de crescimento coincidem com as secas da primavera e do verão enfrentam dificuldades significativas", disse Greif, lembrando que essas plantas podem sofrer reduções substanciais no rendimento se a seca chegar quando ainda precisam de água.

O Ministério da Agricultura da França previu queda de 35% na produção de milho em grão em comparação com o ano passado. Analistas esperam que a produção caia cerca de metade, atingindo o nível mais baixo desde 1976. Por trás dos números, há famílias de agricultores que reorganizam o calendário e lidam com a incerteza a cada safra. impacto das mudanças climáticas na agricultura brasileira

// Leia também

Publicidade