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Relatório da PF: Vorcaro pediu a Moraes conter PF e PGR

ResumoO relatório da Polícia Federal registra que o empresário Vorcaro solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, medidas para conter a atuação da PF e da Procuradoria-Geral da República. O pedido ocorreu no mesmo dia em que o STF aceitou a denúncia contra Eduardo Bolsonaro por coação. A informação consta em documento oficial da investigação.

Relatório da PF mostra que Vorcaro pediu a Moraes para conter PF e PGR no mesmo dia em que STF tornou Eduardo Bolsonaro réu por coação.

Vânia Drummond
Vânia Drummond Repórter de Cultura Mineira · 02 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Relatório da PF: Vorcaro pediu a Moraes conter PF e PGR

No sábado, 15 de novembro de 2025, enquanto a Primeira Turma do STF tornava Eduardo Bolsonaro réu por coação, o celular de Daniel Vorcaro enviava ao número salvo como "Alexandre de Moraes BRASILIA" pedidos para blindar o dono do Banco Master. O relatório da Polícia Federal, tornado público em 1º de setembro de 2026, reconstituiu 52 notas a partir da extração forense do aparelho apreendido.

Naquele dia, Cármen Lúcia registrou o quarto voto para receber a denúncia contra Eduardo Bolsonaro. O relator, Alexandre de Moraes, sustentava que o deputado articulou, nos Estados Unidos, tarifas, cassações de vistos e a Lei Magnitsky para pressionar os ministros. Horas depois, Vorcaro redigiu uma nota no iPhone, fotografou a tela e a enviou em visualização única. O banqueiro queria saber se era hora de deixar o país e se "Paulo" e "Andrei" (Paulo Gonet, PGR, e Andrei Rodrigues, PF) poderiam "reverter" uma medida contra o banco.

O relatório não demonstra que as intervenções pedidas tenham sido realizadas. Há registros de respostas, mas o ponto central é outro: repetidamente, Vorcaro recorria ao contato para obter informações, adiar medidas e mobilizar autoridades. Dois dias depois, ele foi preso no Aeroporto de Guarulhos. No dia seguinte, o Banco Central liquidou o Master. Nove meses e meio depois, Gonet pediu a anulação do relatório.

Nas três semanas anteriores à prisão, o tom era operacional. Em 30 de outubro, Vorcaro afirmou ter colocado R$ 800 milhões no banco, com R$ 400 milhões a entrar, e citou "informações informais" de "turma do Banco Central" sobre pressão máxima por uma medida. Escreveu: "É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco." "G", pelo contexto, refere-se ao comando do BC, presidido por Gabriel Galípolo, que assinaria a liquidação em 18 de novembro.

Entre 4 e 7 de novembro, os pedidos ficaram mais explícitos. Vorcaro perguntou se havia "algo que dê para bloquear" e pediu ajuda para impedir uma medida que quebraria o banco. Também relatou que os advogados Pierpaolo Bottini e José Roberto Podval teriam conversado com Gonet. Em uma nota, condicionou a estratégia à opinião do interlocutor: "Não vou fazer nenhum movimento que você não achar produtivo."

O método era sempre o mesmo: redigir no app Notas, capturar a tela e enviar a imagem em visualização única ao número 556192664093. Entre 28 de outubro e 17 de novembro, a PF identificou esse padrão. A perícia usou a ferramenta Cellebrite e o IPED 4.2.2, conforme o Laudo nº 4281/2025-SETEC/SR/PF/SP. Os arquivos temporários permitiram recuperar o conteúdo mesmo depois da exclusão.

No domingo, 16, Vorcaro escreveu de um avião que pousaria às 14h20 e iria "direto pra aí". Pediu que Andrei adiasse a operação por causa do feriado e perguntou se Galípolo pressionava por intervenção. Mencionou ainda investidores e uma carta da "família real de Abu Dhabi". Na segunda-feira, 17, enviou nove mensagens entre 7h19 e 20h48. Pouco mais de uma hora depois, às 22h, foi preso em Guarulhos, quando se preparava para deixar o país.

investigação Banco Master

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