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Relatório aponta ação policial como motor da violência armada no Brasil

ResumoRelatório semestral do Instituto Fogo Cruzado, divulgado em 29 de janeiro de 2025, aponta ações policiais como motor da violência armada no Brasil. O documento registrou recorde de participação policial em tiroteios e 901 pessoas baleadas no período, consolidando a tendência de letalidade institucional no país.

Relatório semestral do Instituto Fogo Cruzado, divulgado nesta quarta (29), aponta que ações policiais se consolidaram como motor da violência armada no Brasil, com recorde de participação em tiroteios e 901 pessoas baleadas.

Vânia Drummond
Vânia Drummond Repórter de Cultura Mineira · 30 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Relatório aponta ação policial como motor da violência armada no Brasil

Relatório aponta ação policial como responsável pela violência armada

Os dados do relatório semestral do Instituto Fogo Cruzado, lançado nessa quarta-feira (29), mostram que as ações e operações policiais, principal estratégia de segurança pública no Brasil, consolidaram-se como um dos motores da violência armada no país. Foram 2.511 tiroteios registrados entre janeiro e junho de 2026, nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Belém e Salvador, em 57 municípios, resultando em 2.403 pessoas baleadas, 1.628 mortas e 775 feridas.

As ações policiais foram responsáveis por 39% dos registros, deixando 584 mortos e 317 feridos em seus 989 tiroteios. Em 2025, no primeiro semestre, a participação policial era de 33%. Apesar da queda geral no número de tiroteios, a presença policial nos conflitos cresceu, atingindo recorde.

Ação policial como motor da violência armada

"Há três décadas o Estado repete a mesma fórmula, um modelo de segurança pública incapaz de desarticular os grupos armados e que não garante segurança à população", avalia a gerente de Pesquisa do Instituto Fogo Cruzado, Terine Husek Coelho. Ela destaca que essa lógica alimenta o alto número de tiroteios, expõe moradores ao fogo cruzado e compromete escolas e unidades de saúde.

Disputas entre grupos armados crescem 12%

O número de baleados em disputas entre facções e milícias cresceu 12% no semestre, passando de 181 vítimas em 2025 para 203 em 2026. Ao mesmo tempo, assaltos que terminam com baleados se tornaram mais frequentes: 53 pessoas foram atingidas, recorde para o período nos últimos quatro anos.

Cenário nas regiões metropolitanas

Na região metropolitana do Rio de Janeiro, 976 tiroteios foram mapeados. As forças policiais participaram de 47% dos casos, maior patamar desde 2017. Em Recife, com 645 tiroteios, houve o menor índice desde 2019, mas o maior número de tiroteios em ações policiais da série histórica: 60 registros, ou 9% do total.

Salvador registrou 656 tiroteios, menor índice dos primeiros semestres recentes. Já Belém teve 234 tiroteios, queda de 20% em relação a 2025, com participação policial em 45% dos casos.

Agentes de segurança baleados

Dos 34 agentes de segurança atingidos por disparos no período, 24 estavam em serviço, representando 71% dos casos. Em Salvador, 53% dos 637 baleados estavam em contexto de ações policiais.

Perguntas Frequentes

O que é o Instituto Fogo Cruzado?

É uma organização que monitora a violência armada nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Belém e Salvador, produzindo relatórios semestrais.

Quantas pessoas foram baleadas no 1º semestre de 2026?

Foram 2.403 pessoas baleadas, das quais 1.628 morreram e 775 ficaram feridas.

A participação policial aumentou ou diminuiu?

Apesar da queda no número total de tiroteios, a participação policial cresceu de 33% em 2025 para 39% em 2026.

Qual região metropolitana teve mais tiroteios?

A região do Rio de Janeiro liderou com 976 tiroteios, seguida por Salvador (656), Recife (645) e Belém (234).

O que diz a gerente de Pesquisa do Instituto?

Terine Husek Coelho afirma que o modelo de segurança pública se repete há três décadas, sendo incapaz de desarticular grupos armados e alimentando a violência.

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