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PF vê estratégia de Mendonça para anistia de condenados

ResumoA Polícia Federal identificou estratégia do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para recompor forças na Corte e viabilizar anistia a condenados pelos atos de 8 de janeiro. Relatórios sobre a movimentação foram encaminhados pelo ministro Alexandre de Moraes ao colega Edson Fachin, indicando articulação interna no STF.

A PF avalia que Mendonça buscaria recompor forças no STF para abrir caminho a anistia de condenados pelo 8 de janeiro. Relatórios foram enviados por Moraes a Fachin.

Ronaldo Pimenta
Ronaldo Pimenta Repórter de Esporte Mineiro · 04 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
PF vê estratégia de Mendonça para anistia de condenados

A Polícia Federal levanta a hipótese de que o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), buscaria alterar a correlação de forças dentro da Corte para abrir caminho a uma anistia que beneficie envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e na tentativa de golpe de Estado. A avaliação aparece em relatórios de inteligência da PF tornados públicos por Moraes na quinta-feira (3). O ministro enviou o material ao presidente da Corte, Edson Fachin, ao apontar indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça.

Em um dos documentos, os analistas avaliam uma possível "estratégia de recomposição de forças no Tribunal". A hipótese é de que movimentos atribuídos a Mendonça pudessem ampliar sua influência dentro do STF e alterar o equilíbrio entre grupos de ministros. O relatório associa essa hipótese, entre outros pontos, ao apoio de Mendonça à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo e a movimentos envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

A PF afirma que uma mudança na composição ou no equilíbrio interno da Corte poderia aumentar as chances de uma anistia relacionada aos crimes de 8 de janeiro. A CNN já havia revelado que o relatório menciona uma possível estratégia de Mendonça para ampliar seu poder no tribunal. Em uma tabela que organiza as hipóteses analisadas, a PF registra como uma das proposições que "a recomposição visa viabilizar anistia dos crimes de 8 de janeiro".

Até 12 de agosto de 2025, o STF já havia responsabilizado 1.190 pessoas pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que indicou Mendonça ao Supremo. A própria Polícia Federal, porém, atribui baixo grau de confiança a essa conclusão. Segundo a corporação, os relatórios usados por Moraes são "documentos de trabalho" e "sem valor probatório", que reúnem análises de cenário e diferentes graus de confiança, sem apresentar conclusões criminais definitivas.

Moraes, por outro lado, usou o conjunto dos relatórios para afirmar que há "fortes indícios" de irregularidades praticadas por Mendonça na condução das operações Sem Desconto, sobre as fraudes no INSS, e Compliance Zero, relacionada ao Banco Master. Entre as acusações apresentadas por Moraes estão interferência na condução das investigações, participação irregular em tratativas de colaboração premiada e direcionamento de alvos por motivos pessoais e políticos, inclusive ele próprio.

O episódio integra a crise aberta no Supremo nesta semana após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que revelou mensagens e registros de contatos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

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