Perdas por enchentes no Nepal somam US$ 2,56 bilhões
As perdas por enchentes no Nepal são estimadas em US$ 2,56 bilhões, conforme informou à Reuters, nesta sexta-feira (4), o chefe da autoridade nacional de gestão de desastres do país. O valor corresponde a 387,5 bilhões de rúpias nepalesas (cerca de R$ 13 bilhões) em bens, moradias e infraestrutura destruídos pelas inundações da semana passada.
Nos primeiros quatro meses da recuperação, o custo estimado para reconstruir estradas, montar abrigos temporários, fornecer água potável e restabelecer a energia elétrica é de cerca de US$ 52,6 milhões (aproximadamente R$ 269,5 milhões). Os números foram apresentados por Dharma Raj Upreti, chefe da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres, que ressaltou: "Esses são valores estimados. Fizemos esses cálculos em coordenação com diferentes órgãos e departamentos envolvidos". Uma avaliação detalhada deve ser feita em breve.
O desastre começou em 26 de agosto, quando o colapso de uma geleira provocou uma enxurrada de gelo, rochas e lama pelo rio Trishuli, na fronteira com a China. Mais de 1.300 pessoas morreram no Nepal, onde 1.295 corpos foram encontrados até esta sexta-feira. Cerca de 5.500 seguem desaparecidas nos dois países. Na China, o número de mortos subiu para 31, com 531 desaparecidos, segundo a agência estatal Xinhua.
O Nepal precisará reconstruir cerca de 20 mil casas, sendo que pelo menos 7.500 foram destruídas. Na Usina Hidrelétrica Trishuli 3A, o corpo de uma terceira pessoa foi achado em um túnel, horas após o resgate com vida de dois trabalhadores. A vítima foi identificada como Binod Pandey. Suresh Raut, vice-gerente da Autoridade de Eletricidade do Nepal, afirmou que as buscas no local serão encerradas, pois há "pouca possibilidade de encontrar outras pessoas desaparecidas nesse túnel". O Exército local, porém, acredita que outras 40 pessoas ainda estejam no túnel, em condições desconhecidas.
A operação de resgate enfrenta desafios extremos. O major-general Anup Jung Thapa, chefe de operações militares, detalhou o uso de detectores térmicos, câmeras de longo alcance, veículos operados remotamente e drones. Em um dos túneis, há um canal de drenagem com cerca de 26 metros de profundidade. A região é remota, com conectividade limitada, o que dificulta o trabalho das equipes que atuam dia e noite. No quartel de Trishuli, helicópteros pousam e decolam constantemente, enquanto dezenas de fotos de desaparecidos cobrem as paredes, lembrando quantas pessoas ainda não foram encontradas.
O governo nepalês discute agora como financiar a reconstrução e priorizar as áreas mais atingidas, em meio à necessidade de resposta rápida às vítimas e de prevenção a novos desastres na região do Himalaia.