MG pode não decidir eleições presidenciais pela 1ª vez
Morador de Contagem, na Grande BH, o eletricista Carlos Mendes, de 48 anos, acompanha as eleições presidenciais desde 1994 e sempre ouviu a máxima: quem vence em Minas vence no Brasil. Mas, pela primeira vez, esse padrão pode não se repetir, segundo o cientista político Fábio Vasconcellos, professor da Uerj e da PUC-Rio, em entrevista ao WW.
Segundo Vasconcellos, ao longo de 20 anos, Minas Gerais sempre confirmou a regra de que o resultado no estado espelha o nacional. No entanto, dados recentes indicam que essa relação pode estar se rompendo. O especialista explicou que a margem entre o vencedor e o perdedor em Minas vem diminuindo eleição a eleição. Em 2022, essa diferença em pontos percentuais ficou abaixo da média nacional, o que chamou a atenção dos pesquisadores.
"É como se a tendência à direita em Minas estivesse muito mais acentuada do que a gente está observando no Brasil", destacou Vasconcellos. Ao abrir o mapa do estado, várias regiões penderam mais fortemente para a direita em 2022, mesmo em localidades onde o PT historicamente tinha médias razoáveis de votação, médias que vêm caindo ao longo do período.
Com base nessa tendência, o cientista político levantou a hipótese de que, pela primeira vez, o resultado em Minas não coincida com o nacional. "Pode acontecer, pela primeira vez, que quem vencer em Minas pode ser que não vença no Brasil, ou vice-versa", disse. Ele ressaltou, porém, que a confirmação só virá após as eleições.
Vasconcellos também abordou as "cidades-pêndulo", municípios sem alinhamento ideológico claro, onde a competição é mais acirrada. "Uma franja do eleitorado é que faz essa diferença, em 51, 52, 53 pontos percentuais para o vencedor", explicou. Para conquistar esse eleitor, o especialista defendeu presença e escuta ativa, já que esse público não se identifica necessariamente com direita ou esquerda e é sensível a problemas do cotidiano, como violência, acesso à educação e custo de vida.
Para o eleitor mineiro, a mudança significa que o voto local pode ter menos peso na definição do próximo presidente, o que reforça a importância de acompanhar propostas e candidatos de perto. O cientista político, no entanto, lembra que a hipótese só será testada nas urnas. Quem quiser acompanhar a evolução do cenário pode consultar os dados do Tribunal Superior Eleitoral.