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Voto distrital misto: países que usam e resultados

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu o voto distrital misto em 24 de agosto de 2026, ao afirmar que o modelo proporcional atual "faliu". A declaração reacendeu o debate sobre uma possível reforma eleitoral no Brasil. O sistema já é adotado por diversas nações para equilibrar a representação local com a ideológica.

No voto distrital misto, o eleitor deposita dois votos na urna. O primeiro é para um candidato em seu distrito geográfico (voto majoritário), e o segundo é para uma lista de candidatos de um partido político (voto proporcional). A mecânica divide a composição do parlamento: parte das vagas é preenchida pelos candidatos mais votados em cada distrito, enquanto a outra parte é distribuída para garantir que a representação partidária final seja proporcional à votação total que cada legenda recebeu. O processo segue três passos: dois votos, eleição nos distritos e compensação partidária.

Diversas democracias adotam variações do sistema, com mecânicas distintas. Em modelos compensatórios, como o da Alemanha e o do México, o voto no partido serve para corrigir distorções e garantir que a bancada final reflita a votação proporcional recebida por cada legenda. Já em modelos de voto paralelo, como o do Japão, os dois votos funcionam de forma independente, sem esse mecanismo de compensação.

Na Alemanha, o modelo foi implementado em 1949, após a Segunda Guerra Mundial, para garantir estabilidade política. O sistema alemão, conhecido como Representação Proporcional Personalizada (MMP), inclui uma cláusula que exige que os partidos obtenham no mínimo 5% dos votos nacionais para garantir assentos proporcionais no Bundestag, o parlamento federal. O resultado historicamente favorece a formação de governos de coalizão, raramente permitindo que um único partido governe com maioria absoluta.

A Nova Zelândia adotou o sistema em 1996, após um referendo nacional realizado em 1993. A mudança foi motivada pelo desejo de um sistema eleitoral mais justo, que desse mais chances a partidos menores e refletisse com maior precisão a vontade popular, quebrando a hegemonia dos dois principais partidos que dominavam a política do país.

Defensores do modelo apontam que ele aproxima o eleitor do representante local, eleito pelo distrito, e ao mesmo tempo mantém a pluralidade de ideias com a representação proporcional dos partidos. Isso tende a gerar governos de coalizão, considerados mais estáveis e abertos à negociação. Já os críticos argumentam que o sistema pode ser complexo para o eleitorado. Outro ponto de atenção é o risco de criar parlamentos muito fragmentados, dificultando a governabilidade, caso não existam mecanismos como a cláusula de barreira para limitar o número de legendas com representação.

O debate no Brasil, impulsionado pela fala de Moraes, deve seguir nos próximos meses. A experiência de países como Alemanha e Nova Zelândia mostra que o sistema exige desenho cuidadoso para equilibrar representação local e proporcionalidade, sem comprometer a governabilidade.

Sérgio Tadeu Mafra
Repórter de Economia Regional
De Uberlândia, cobre economia do Triângulo e agronegócio mineiro com dado na mão e linguagem clara.
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