Nepal: resgate suspenso após lago de detritos transbordar
As operações de resgate na fronteira entre China e Nepal foram suspensas nesta sexta-feira (28) depois que um lago formado por detritos começou a transbordar, segundo autoridades chinesas. O lago surgiu após o desabamento de uma geleira que provocou inundações catastróficas na região, deixando centenas de mortos na quarta-feira (26). Autoridades dos dois países já haviam alertado na quinta-feira (27) para novos riscos de inundações no Himalaia.
O risco de rompimento do lago e de desastres secundários, como desabamentos de montanhas e avalanches, levou todas as equipes e veículos chineses de resgate a deixar a área e permanecer de prontidão em um local seguro, informou a emissora estatal CCTV. O volume de água no lago ultrapassou 2,5 milhões de metros cúbicos, acima dos 1,5 milhão a 2 milhões estimados um dia antes por uma equipe de oito engenheiros chineses enviada para monitorar o local.
A equipe realizou levantamentos aéreos e modelagem em 3D do lago represado. Um dos engenheiros, Chen Hanxiao, destacou o difícil acesso: "Depois que o desabamento da geleira formou o lago, muitas encostas isoladas e íngremes surgiram ao longo de sua margem". A abordagem geral, segundo Chen, é escavar um canal de drenagem na parte mais baixa da barragem, com largura e profundidade calculadas conforme a velocidade do fluxo e o enchimento do lago. Os dados indicaram que o lago tem cerca de 150 metros de comprimento e entre 40 e 50 metros de profundidade.
A região do posto fronteiriço de Gyirong registrou chuvas de intensidade leve a moderada, que desestabilizaram solo e rochas. A previsão é de chuva ao longo da próxima semana. A China alertou que 3 milhões de metros cúbicos de água, equivalentes a cerca de 1.200 piscinas olímpicas, devem chegar ao lago nos próximos três dias, com vazão máxima esperada por volta de 1º de setembro. Quase 1.000 pessoas continuam desaparecidas nos dois lados da fronteira, incluindo até 540 estrangeiros de 31 países.
Aqui no interior, a gente sabe que água parada é risco que não espera. O plano dos engenheiros é drenar o lago antes que a natureza decida o caminho. A comunidade local, que vive do comércio na passagem de fronteira, acompanha cada boletim, torcendo para que o canal venha antes da próxima chuva.