Mulher é presa suspeita de envolvimento na morte do namorado em Lagoa Santa
Uma mulher de 31 anos foi presa em flagrante nesta sexta-feira (11/9), suspeita de envolvimento na morte do namorado, de 27 anos, em um apartamento na Vila Maria José, em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar (PM), a vítima foi encontrada morta sobre a cama, com diversas perfurações provocadas por disparos de arma de fogo. A ocorrência foi registrada por volta das 4h08.
O que se sabe até agora:
- A vítima, de 27 anos, foi achada sem vida sobre a cama, com perfurações de tiros.
- A namorada, de 31 anos, foi presa em flagrante por conduta relacionada à alteração e preservação de elementos no local do crime, segundo a PM.
- Moradores relataram a dois homens de roupas escuras e rostos cobertos que teriam arrombado a porta.
- A perícia recolheu cerca de 25 cápsulas calibre 9 milímetros no apartamento.
- Nenhum dos suspeitos apontados como autores dos disparos havia sido localizado até o encerramento do registro.
O relato dos moradores e a versão da suspeita
Conforme o boletim de ocorrência, moradores disseram aos militares que dois homens usando roupas escuras e com os rostos cobertos teriam arrombado a porta do apartamento. Ao entrar, eles teriam gritado "perdeu, perdeu" e seguido em direção aos quartos. Um dos invasores teria apontado uma arma para a cabeça de uma testemunha antes de seguir para outro quarto, onde estavam a vítima e a namorada.
A mulher contou aos policiais que, ao perceber a movimentação, abriu a porta do cômodo. Um dos homens teria entrado atirando, enquanto o namorado permanecia deitado na cama. Ela afirmou ter tentado fechar a porta, mas não conseguiu, e ficou acuada em um canto do quarto. Os suspeitos, então, teriam efetuado diversos disparos contra o homem e fugido em seguida.
Após a fuga, a mulher disse aos militares que pegou a arma que pertencia à vítima e saiu do apartamento com o objetivo de entregá-la a uma terceira pessoa. Ela não informou quem seria esse destinatário e solicitou a presença de advogados. Um advogado acompanhou a ocorrência.
Imagens, celulares e a bolsa preta
Durante as diligências, os militares tiveram acesso a imagens compartilhadas por um morador nas quais é possível ver um homem usando roupas escuras pulando o muro do condomínio e fugindo. O porteiro também foi ouvido. Ele disse que não havia percebido movimentação anormal antes do crime e relatou que a vítima havia chegado ao condomínio de motocicleta. Após os disparos, segundo o funcionário, a mulher foi vista em uma área comum do residencial usando o celular, aparentemente durante uma ligação.
Ainda conforme o registro policial, os militares constataram que a suspeita havia saído do apartamento para passear com o cachorro e estava com dois celulares que pertenciam à vítima. Ao retornar, ela afirmou que não havia desbloqueado os aparelhos, mas os policiais não conseguiram confirmar a informação.
Na tentativa de localizar a arma, os policiais analisaram outras imagens e identificaram a mulher deixando o condomínio com uma bolsa grande, de cor preta. Segundo a PM, ela teria entregado a bolsa a ocupantes de um veículo que aparentava ser um Fiat Mobi vermelho. Os militares consideraram, em tese, que a arma usada pela vítima poderia ter sido entregue naquele momento. Até o encerramento da ocorrência, porém, os ocupantes do veículo não haviam sido identificados e a arma não havia sido localizada.
Perícia, prisão e o que falta esclarecer
A perícia recolheu aproximadamente 25 cápsulas de munição calibre 9 milímetros no apartamento. No bolso da vítima foram encontrados 17 cartuchos intactos do mesmo calibre e R$ 420 em dinheiro. O corpo foi liberado pela perícia.
Diante dos elementos reunidos durante a ocorrência, a mulher recebeu voz de prisão em flagrante por conduta relacionada à alteração e preservação de elementos no local do crime, segundo a PM. A investigação deverá esclarecer a participação dela e identificar os responsáveis pelos disparos.
Em cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, casos de violência letal costumam mobilizar não só a segurança pública, mas também a rotina de comércio e serviços de bairros como a Vila Maria José, onde a movimentação de moradores depende da sensação de tranquilidade. O desfecho da apuração tende a definir se o episódio foi um crime patrimonial, um acerto de contas ou outra motivação, o que só a investigação pode responder.