Agiotagem: sargento da PM e juros de até 20% ao mês
A Polícia Civil aponta que um grupo de agiotagem chefiado pelo sargento aposentado da Polícia Militar José Luiz Silva Sá cobrava juros de até 20% ao mês dos devedores. A investigação também indica que os suspeitos emprestavam dinheiro com juros abusivos e faziam cobranças de forma violenta.
A operação prendeu 11 pessoas em Goiás e no Distrito Federal na quinta-feira (10). Um vídeo divulgado pela polícia mostra um dos presos, Adailton Fernandes de Oliveira, ostentando notas de dinheiro que formam uma "montanha" e contando o montante em cima de um sofá.
O que a polícia diz sobre os juros de até 20% ao mês
O percentual citado pela Polícia Civil é o teto apontado na investigação. Em termos práticos, 20% ao mês significa que uma dívida de R$ 1.000 pode virar R$ 1.200 em apenas 30 dias, sem contar novas cobranças. Em 12 meses, no mesmo ritmo, o valor ultrapassa R$ 8.900, segundo cálculo simples de juros compostos. É esse efeito de bola de neve que transforma um empréstimo pequeno em dívida impagável.
A agiotagem, ou empréstimo ilegal com juros abusivos, é diferente do crédito oferecido por bancos e financeiras reguladas. Quem recorre a esse tipo de empréstimo costuma estar fora do sistema financeiro formal, sem acesso a crédito bancário ou com nome negativado. O problema é que a cobrança, segundo a investigação, vinha acompanhada de violência, o que agrava a situação jurídica dos suspeitos.
Quem são os envolvidos e o que foi apreendido
A Polícia Civil aponta José Luiz Silva Sá como chefe do grupo. Ele é sargento aposentado da Polícia Militar. A PM de Goiás informou que ele está na reserva remunerada, sem qualquer vínculo com o serviço ativo da corporação. A Corregedoria da PM acompanha o caso e afirmou que vai adotar todas as medidas pertinentes no momento oportuno.
Adailton Fernandes de Oliveira aparece em vídeo divulgado pela polícia ostentando notas de dinheiro. As imagens fazem parte do material reunido na investigação sobre o grupo.
A operação prendeu 11 pessoas em Goiás e no Distrito Federal. Durante as ações, foram apreendidos itens usados nas cobranças e na suposta movimentação do grupo, segundo a polícia. A reportagem do g1 detalha que entre os materiais recolhidos estão armas, veículos, cheques, notas promissórias, celulares e documentos.
Como a agiotagem afeta você na prática
Quem já precisou de dinheiro rápido e não conseguiu crédito em banco conhece a porta que se abre para esse tipo de empréstimo. A diferença é que, quando a cobrança sai do papel e vira ameaça, o devedor deixa de ser apenas alguém com dívida e passa a ser vítima de extorsão.
Alguns sinais ajudam a identificar uma operação de agiotagem antes que ela vire problema:
- Juros muito acima do mercado, como o teto de 20% ao mês apontado pela Polícia Civil neste caso.
- Cobrança feita por pessoas ligadas ao credor, sem contrato formal ou instituição financeira envolvida.
- Pressão, ameaça ou violência como método de cobrança.
- Ausência de registro no Banco Central ou de qualquer vínculo com uma instituição autorizada.
Crédito regular no Brasil passa por instituições fiscalizadas pelo Banco Central. Quando o empréstimo vem de um particular sem registro, o devedor fica sem proteção contratual e sem canal de reclamação. É por isso que a investigação trata o caso como agiotagem e não como simples inadimplência.
O que acontece com os suspeitos
A operação prendeu 11 pessoas em Goiás e no Distrito Federal na quinta-feira (10). A Polícia Civil segue com a investigação sobre o grupo chefiado, segundo ela, pelo sargento aposentado José Luiz Silva Sá. A Corregedoria da PM acompanha o caso e afirmou que vai adotar todas as medidas pertinentes no momento oportuno.
A PM de Goiás informou que o sargento está na reserva remunerada, sem qualquer vínculo com o serviço ativo da corporação. A distinção é importante: a reserva remunerada é uma situação prevista para militares que já cumpriram o tempo de serviço, e não significa que o envolvido ainda exerça função na ativa.
O caso segue em apuração. A reportagem do g1 acompanha os desdobramentos da operação em Goiás e no Distrito Federal.
Perguntas Frequentes
O que é agiotagem e por que é crime?
Agiotagem é o empréstimo de dinheiro com juros abusivos, fora do sistema financeiro regulado. A prática é crime porque combina cobrança ilegal de juros com risco de extorsão e violência, como aponta a investigação neste caso.
Qual o juros máximo que a polícia aponta no caso?
A Polícia Civil aponta juros de até 20% ao mês cobrados pelo grupo chefiado pelo sargento aposentado José Luiz Silva Sá.
Quantas pessoas foram presas na operação?
A operação prendeu 11 pessoas em Goiás e no Distrito Federal na quinta-feira (10).
Quem é Adailton Fernandes de Oliveira?
Adailton Fernandes de Oliveira é um dos suspeitos presos. Ele aparece em vídeo divulgado pela polícia ostentando notas de dinheiro que formam uma "montanha" e contando o montante em cima de um sofá.
O sargento ainda tem vínculo com a PM?
A Polícia Militar de Goiás informou que José Luiz Silva Sá está na reserva remunerada, sem qualquer vínculo com o serviço ativo da corporação. A Corregedoria da PM acompanha o caso.
O que foi apreendido na operação?
Segundo a polícia, foram apreendidos armas, veículos, cheques, notas promissórias, celulares e documentos ligados ao grupo.