Eduardo Cunha em Minas: por que o estado não pode ser atalho
Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara cassado em 2016, tenta agora transformar Minas Gerais em trampolim para retornar ao Legislativo. Depois de construir carreira no Rio de Janeiro e fracassar nas urnas em São Paulo, o ex-parlamentar filiado ao Republicanos está entre os mais de cem candidatos que trocaram de estado nas eleições de 2026.
A trajetória política de Cunha é marcada por cassação e condenações. Ele presidiu a Câmara, autorizou a abertura do impeachment de Dilma Rousseff e foi cassado em 2016 por 450 votos a 10, após ser acusado de mentir à CPI da Petrobras sobre contas no exterior. Posteriormente, foi preso e condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As condenações penais foram anuladas pelo STF por questões de competência, decisão que não apaga os fatos políticos e de desvios éticos e morais registrados em sua trajetória.
Agora, Cunha busca votos mineiros apoiado também em uma rede de rádios gospel. A tentativa de associar a candidatura à fé cristã é ofensiva e demonstra, mais uma vez, o uso da religião e do povo mais pobre como massa para moldar política. A religião não pode servir de escudo para reabilitar projetos de poder nem transformar fiéis em massa eleitoral.
Minas Gerais não é esconderijo político, plano alternativo ou território disponível para candidatos sem raízes no estado. É legítimo disputar eleições onde a legislação permite, mas o eleitor tem o direito, e o dever, de examinar quem chega, por que chega e qual passado pretende esconder atrás de discursos religiosos.
A candidatura ainda enfrenta pedido de impugnação apresentado pelo Ministério Público Eleitoral, que aponta possível inelegibilidade decorrente de condenação por improbidade administrativa. O pedido foi apresentado em agosto. O retorno de Cunha representa um teste para a memória do eleitor mineiro, que precisa avaliar o histórico do candidato antes de decidir o voto.