Mestrando da Suíça escolhe laboratório da Univali para estágio
Adamm Alaoui Soulimani, mestrando marroquino do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETHZ), escolheu o laboratório da Univali, em Itajaí (SC), para estágio de cinco semanas. O projeto desenvolve software educacional para ensino de eletrônica.
O estudante marroquino Adamm Alaoui Soulimani, mestrando do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETHZ), na Suíça, escolheu a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Itajaí (SC), para realizar uma atividade de pesquisa ligada à dissertação de mestrado. Neste início de setembro, ele conclui cinco semanas de estágio no Brasil e se prepara para retornar à Europa nos próximos dias.
Antes de chegar à Univali, a principal referência do estudante sobre o país eram o futebol e as lembranças de viagem do pai, que visitou o Rio de Janeiro nos anos 80 por admiração ao piloto Ayrton Senna. Movido pelo desejo de ampliar conhecimentos em tecnologia, Adamm descobriu que o Brasil também tem contribuições acadêmicas a oferecer.
Desde agosto, ele atua no Laboratório de Sistemas Embarcados e Distribuídos, vinculado à Escola Politécnica da Univali. O projeto foca no desenvolvimento de um software educacional para o ensino de eletrônica, com ênfase no projeto de circuitos digitais integrados. A ideia é facilitar o aprendizado de estudantes de computação e engenharia elétrica.
"Ao descobrir que o professor Zeferino possuía grande experiência na pesquisa de metodologias e ferramentas para o ensino de sistemas digitais e arquitetura de computadores, entrei em contato para verificar a possibilidade de realizar o meu estágio aqui na Univali, sob a sua supervisão", conta o aluno.
Entre os fatos que impressionaram Adamm no Brasil estão os livros técnicos encontrados em português. Por isso, ele avalia que os estudantes brasileiros levam vantagem em relação a outros países, como o Marrocos, onde esse conteúdo precisa ser consumido em inglês, pois não há tradução para o idioma nativo.
Na avaliação do intercambista, o Marrocos está cerca de 20 anos aquém do Brasil e da Europa na área de tecnologia, suspeita que ele pôde confirmar durante os estudos no ETHZ e na Univali. Ao concluir a graduação, nasceu nele o desejo de ajudar a diminuir essa distância no país de origem, o que o motivou a cursar um mestrado nessa linha de investigação.
O professor Cesar Albenes Zeferino, supervisor do estágio e líder do grupo de pesquisa Sistemas Embarcados e Distribuídos da Univali, destaca o valor do intercâmbio. "O instituto de origem do Adamm, o ETHZ, é uma referência na área de tecnologia, sendo considerado o número um da União Europeia. A sua chegada ao Campus promoveu um intercâmbio tecnológico e cultural muito valioso com os nossos mestrandos e estudantes de graduação", afirmou. Ele acrescenta que a passagem do estudante também contribui para consolidar o Programa de Pós-graduação em Computação Aplicada (PPGCA), já que a internacionalização é um dos critérios de avaliação da Capes.
O coordenador do PPGCA, professor Jordan Sausen, afirma que há um esforço para consolidar a internacionalização como eixo estratégico do Programa, ampliando redes de pesquisa, mobilidade acadêmica, coorientações e projetos conjuntos. "Experiências como essa ajudam a transformar essas diretrizes em relações duradouras, capazes de conectar nossos pesquisadores e estudantes às agendas científicas globais", disse.
Adamm ainda não decidiu se seguirá a carreira acadêmica, mas está certo de que sua missão é ajudar pessoas a aprenderem conceitos de tecnologia, especialmente no Marrocos. "Eu posso seguir com essa missão dentro da academia ou vir a desenvolver, no futuro, uma ferramenta educacional própria, um produto que ofereça essa acessibilidade aos estudantes", justifica. A área de eletrônica e computação, segundo ele, apresentou crescimento exponencial nos últimos anos, o que aumenta a necessidade por ferramentas que tornem o conhecimento mais acessível.