Fóssil de 324 milhões de anos revela inseto com 24 patas
Um fóssil de 324 milhões de anos encontrado no Texas, nos Estados Unidos, levou pesquisadores internacionais à identificação de uma nova espécie de inseto primitivo: a Chosha praecursor. O animal se destaca por apresentar 24 patas, característica bem distante da anatomia dos insetos atuais, que têm seis.
A criatura media aproximadamente 49 milímetros e viveu durante o período Carbonífero. A análise do fóssil mostrou, no entanto, que nem todos os 24 apêndices eram usados para a locomoção terrestre. Apenas seis tinham função diretamente ligada à caminhada; os demais apresentavam características compatíveis com estruturas semelhantes a remos.
Essa configuração levou os pesquisadores a considerar que a espécie poderia ocupar tanto ambientes terrestres quanto aquáticos. A descoberta amplia o conhecimento sobre a diversidade dos primeiros insetos e sobre as mudanças anatômicas que ocorreram durante a transição dos artrópodes para a vida em terra firme.
Além do exemplar de Chosha praecursor, outros dois fósseis foram identificados durante o estudo. Os três pertencem a um grupo ancestral de insetos primitivos que apresentava apêndices adicionais distribuídos pelo corpo.
Os resultados da pesquisa foram publicados na quarta-feira (26/8) na revista científica Nature. O trabalho envolveu instituições de diferentes países, entre elas a Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e o Museu Americano de História Natural, em Nova York.
A presença de múltiplos apêndices oferece novas pistas sobre a evolução da anatomia dos insetos. Com a adaptação progressiva ao ambiente terrestre, estruturas que funcionavam como remos teriam desaparecido ao longo da evolução, contribuindo para o estabelecimento do padrão corporal característico dos insetos modernos, com três pares de patas.
A descoberta também ajuda a preencher uma lacuna no registro fóssil dos primeiros insetos e fornece evidências para compreender como os artrópodes se adaptaram à vida fora da água.