CapaCidade
Cidade

Flávio cobra voto de Cármen Lúcia contra Moraes

ResumoFlávio Bolsonaro (PL) cobrou a ministra Cármen Lúcia para que vote favoravelmente à abertura de investigação formal contra Alexandre de Moraes em eventual julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal. A solicitação do senador ocorre no contexto de pressão política sobre o STF. A manifestação pública busca influenciar o posicionamento da magistrada em possível análise colegiada.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) cobrou a ministra Cármen Lúcia por um voto favorável à abertura de investigação formal contra Alexandre de Moraes em eventual julgamento no plenário do STF.

Ronaldo Pimenta
Ronaldo Pimenta Repórter de Esporte Mineiro · 07 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Flávio cobra voto de Cármen Lúcia contra Moraes

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) cobrou a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia por um voto favorável à abertura de uma investigação formal contra o também ministro Alexandre de Moraes em eventual julgamento no plenário da Corte.

"Cármen Lúcia, o Brasil está aguardando para ver como vai ser o seu voto na semana que vem, se a senhora vai autorizar que o Alexandre de Moraes seja formalmente investigado, ou se a senhora vai passar a mão na cabeça dele", disse o candidato neste domingo (6) em transmissão ao vivo nas redes sociais. "Com tudo isso que já veio à tona, vai ficar muito ruim para sua história, para sua biografia", completou.

A cobrança ocorre em meio à crise no STF envolvendo o chamado Caso Master. Na decisão em que retirou o sigilo sobre a ação que apura mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e Moraes, o ministro Nunes Marques sugeriu que a análise do caso seja feita pelo plenário da Corte. De acordo com apuração da CNN Brasil, o relator tem a intenção de levar o relatório ao plenário ainda nesta semana. Apesar da vontade do ministro, cabe ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, definir uma data para que os magistrados analisem o relatório e decidam por dar aval a uma eventual apuração formal contra Moraes.

Na fala, Flávio questiona se a ministra será "contra a impunidade" ou vai proteger seu "coleguinha de plenário". "Eu queria ver aquela Cármen Lúcia de dez anos atrás, que era contra a censura. [...] Como é que ela, que sempre se disse uma defensora da democracia, da liberdade, que sempre foi contra a impunidade, como é que ela vai se colocar agora? Se ela vai proteger o Brasil, a democracia e o próprio Supremo Tribunal Federal, ou se a Cármen Lúcia vai proteger o Alexandre de Moraes, porque é seu coleguinha de plenário e acha que ele também tem que estar acima da lei", disse o candidato.

O relatório da PF, que intensificou a crise na última semana, foi formulado a partir de dados obtidos no celular de Vorcaro, apreendido pela PF na operação Compliance Zero, e revela uma suposta proximidade entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro. De acordo com o documento, em conversas com Moraes às vésperas de sua prisão, Vorcaro chegou a perguntar ao ministro sobre sair do país e expressou "gratidão" ao magistrado. "Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você", disse o ex-dono do Master. A investigação da PF ainda mapeou uma série de encontros entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025.

A tensão institucional também atinge o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que são suspeitos de trabalhar para conter o avanço das investigações sobre o banco. Gonet apareceu nas mensagens em conversa com Vorcaro, intermediada pelo advogado Ciro Soares, entre abril de 2024 e junho de 2025, mencionando viagens, uísque, charutos e envio de fotos. Andrei Rodrigues é citado na conversa entre Vorcaro e Moraes, na qual o ex-banqueiro questiona sobre reverter as investigações contra o Master por intermédio do diretor.

Na última quinta-feira (3), Moraes, através do inquérito das Fake News, acusou Nunes Marques de praticar improbidade administrativa e abuso de autoridade durante a relatoria do Caso Master, pedindo a Fachin a abertura de ação contra o colega. Fachin declarou que a resposta institucional será "firme, proporcional e rigorosa", afirmando que nenhuma autoridade está acima da Constituição. O presidente do STF deu prazo de cinco dias para manifestação de Moraes, Nunes Marques, Andrei Rodrigues e Gonet sobre a crise. A partir dessas manifestações, Fachin deverá analisar a regularidade das apurações e definir os próximos passos, podendo ou não levar a questão ao plenário da Corte.

// Leia também

Publicidade