Agricultor encontra petróleo ao cavar poço e área será explorada
Sidrônio Moreira, agricultor em Tabuleiro do Norte (CE), encontrou petróleo ao cavar um poço em busca de água. A área virou bloco exploratório da ANP. Entenda o processo até a exploração.
O agricultor Sidrônio Moreira, de Tabuleiro do Norte, no Ceará, procurava água para abastecer a propriedade quando se deparou com um líquido escuro e viscoso, parecido com graxa preta. Era petróleo. O achado, ocorrido em 2024, levou a área a ser aprovada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) como bloco exploratório, o primeiro passo para uma futura retirada comercial do recurso.
O bloco em Tabuleiro do Norte foi batizado de POT-T-551 e integra um conjunto de 24 áreas criadas pela agência, todas na bacia Potiguar, que abrange o Rio Grande do Norte e o Ceará. A ANP ainda não confirmou a localização exata das áreas, mas disse que um dos blocos fica no município, onde foi relatada a ocorrência do fluido já confirmado como petróleo.
A descoberta começou com uma tentativa frustrada. Sidrônio perfurou um poço, viu o líquido preto e desistiu. Tentou outro ponto do terreno, sem sucesso. A família então voltou ao primeiro poço e decidiu investigar com apoio de um professor do IFCE (Instituto Federal do Ceará), que identificou características semelhantes ao petróleo extraído no Rio Grande do Norte e comunicou a ANP. Em maio, a agência confirmou a natureza do material.
A alegria da família é grande. "Ficamos muito alegres", disse um dos filhos, Saulo Santiago Moreira. "Acho que vai demorar um pouco, mas eu acredito na extração", completou. O caminho, porém, é longo: as áreas precisam passar por análise dos ministérios de Minas e Energia e Meio Ambiente, responsáveis pela autorização ambiental. Depois, há audiência pública para consulta às comunidades. Só então os blocos entram na lista de oferta e, se houver interesse de petroleiras, vão a leilão.
Apesar da descoberta, Sidrônio não poderá explorar o petróleo. Pela lei brasileira, o subsolo é monopólio da União, que concede direitos de exploração a empresas habilitadas por meio de processos competitivos. Aos proprietários da terra cabe uma compensação financeira de 1% do valor da produção. Em 2025, 2.606 propriedades no Brasil recebiam esse pagamento, com as petroleiras desembolsando R$ 173,3 milhões, o que equivalia a uma média de cerca de R$ 5.500 por mês para cada uma.
Para o interior do Ceará, a notícia acende a expectativa de desenvolvimento, mas a realidade ainda depende de análises técnicas e do interesse do mercado. Enquanto isso, a família Moreira segue na terra, ciente de que a riqueza encontrada pode demorar a se transformar em renda. impactos da exploração de petróleo no interior A comunidade local, por ora, observa o poço que virou promessa.