Faria Lima segue cética sobre ajuste fiscal após acenos de Lula
Os investidores do principal centro financeiro do país seguem céticos sobre a chance de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ajustar as contas públicas em um hipotético quarto mandato, mesmo após os recentes acenos da campanha petista. A desconfiança se mede, principalmente, pela curva de juros, que pouco se altera há meses, sinal de que o mercado não se convenceu.
Os agentes financeiros trabalham com um cenário em que Lula é marginalmente favorito às eleições de 2026. Contra os acenos, pesa o histórico do terceiro mandato: o mercado vê o presidente relutante a medidas impopulares, como a desvinculação dos pisos de saúde e educação da receita e a desindexação de benefícios sociais e previdenciários do salário mínimo. Além disso, avaliam que, se eleito, Lula enfrentará resistências no Congresso para cortar gastos, como ocorreu no fim de 2024, quando um pacote de redução de despesas foi enxugado pelo Legislativo.
Lula definiu o ministro da Fazenda, Dario Durigan, como principal emissário para o diálogo com a Faria Lima. Durigan sinaliza um eventual Lula 4 de responsabilidade e até aperto no atual arcabouço fiscal. Ele entrou em campo após a campanha desautorizar Sérgio Gabrielli, coordenador do plano de governo, para a interlocução. O ex-presidente da Petrobras defende que a dívida do país tem como vilão os juros altos, não os gastos primários. Gabrielli segue à frente do plano, que defende a manutenção do arcabouço e o controle do gasto primário, mas publica artigos criticando o "arrocho" nas contas públicas.
O próximo capítulo dessa relação se escreve na campanha eleitoral, quando o mercado acompanhará se os acenos de Durigan se convertem em propostas concretas no plano de governo.