Guerra do Paraguai e diplomacia: o pecado capital
Falar sobre a Guerra do Paraguai é um pecado capital na diplomacia. O conflito de 1864 a 1870 deixou feridas abertas que ainda ecoam em crises como a recente, sobre Itaipu.
Falar sobre a Guerra do Paraguai é um dos pecados capitais da diplomacia
Falar sobre a Guerra do Paraguai é um pecado capital na diplomacia bilateral. O maior conflito armado internacional do Brasil no continente, de 1864 a 1870, deixou feridas que ainda ecoam. Recentemente, uma declaração reabriu a tensão com Assunção, no momento em que se negocia o Anexo C do Tratado de Itaipu.
O que foi a Guerra do Paraguai
A guerra começou em 1864, com a apreensão do navio brasileiro Marquês de Olinda e a invasão da então província de Mato Grosso. Terminou em 1870. O Paraguai sofreu uma catástrofe demográfica: perdeu quase 90% da população masculina adulta e sua população foi reduzida a menos da metade.
Um conflito que inspira até literatura
O escritor José Roberto Torero, no livro "Xadrez, Truco e Outras Guerras", da coleção Plenos Pecados, da Editora Objetiva, fez uma sátira macabra sobre o conflito. Seu pecado capital é a ira. A narrativa acompanha a perseguição ficcional ao mariscal Francisco Solano López, ditador do Paraguai, por ordem do príncipe francês Gastão de Orléans, o Conde d'Eu, comandante-chefe do Exército imperial na fase final.
A morte de Solano López
López morreu em Cerro Corá, ou Aquidabanigui, em 1º de março de 1870. A narrativa oficial diz que recusou rendição e morreu em combate; outra hipótese é execução quando já estava ferido. O cabo José Francisco Lacerda, o Chico Diabo, atingiu-o com lança. Seu cadáver foi mutilado e objetos viraram troféus. A espada foi para dom Pedro II; o relógio, para o general Câmara.
O canhão El Cristiano
Outro símbolo é o canhão El Cristiano, de 12 toneladas, exposto no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. Fundido com bronze de sinos paraguaios, foi capturado como troféu. Para os paraguaios, é lembrança da devastação.
A crise atual e Itaipu
A fala de Lula de que "o Paraguai resolveu invadir o Brasil" simplificou o conflito e provocou reação. O presidente Santiago Peña telefonou a Lula; o embaixador brasileiro, José Antônio Marcondes de Carvalho, foi convocado. O estresse ocorre durante as negociações do Anexo C do Tratado de Itaipu, que define as bases financeiras da energia. A tarifa é de US$ 19,28 por quilowatt até 2026, e cada país tem direito a 50% da energia. Assunção quer vender o excedente no mercado.
O que isso significa para você
A tensão afeta a energia que abastece o Brasil. Itaipu é estratégica para o sistema elétrico. A indefinição sobre o excedente paraguaio pode impactar custos e negociações futuras.
Perguntas Frequentes
Por que falar da Guerra do Paraguai é um pecado capital?
Porque o conflito deixou uma catástrofe demográfica e a memória é tão sensível que mexer no passado reabre feridas na integração bilateral.
O Paraguai invadiu o Uruguai?
Não. Solano López apoiava o governo blanco uruguaio; a invasão foi a territórios do Brasil e da Argentina.
O que é o Anexo C do Tratado de Itaipu?
Define as bases financeiras e comerciais da energia da hidrelétrica, incluindo a tarifa e a comercialização do excedente paraguaio.
O que aconteceu com a espada de López?
Foi enviada ao imperador dom Pedro II. O relógio ficou com o general Câmara, que doou a um museu.