Marcola x Lulinha: especialistas veem caso mais grave
A avaliação de aliados do presidente Lula (PT) e de advogados especialistas em direito penal é unânime: a situação de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, é mais grave que a de Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha. O que pesa é o papel que Marcola exercia, com acesso direto ao Palácio do Planalto, à agenda e ao cotidiano do presidente.
Segundo o analista de política Pedro Venceslau, em participação no CNN 360º desta quarta-feira (26), essa diferença torna o caso de Marcola juridicamente mais complexo. Enquanto Lulinha pode ser enquadrado por tráfico de influência, com pena de dois a cinco anos, provavelmente em regime aberto, Marcola pode responder também por corrupção passiva, crime que admite regime fechado.
A defesa de Lulinha argumenta que nenhuma transação concreta se concretizou. "Até porque o governo não pode comprar canabidiol", destacou Venceslau. Mas o professor de Direito Constitucional Pedro Serrano reforçou que, tanto no tráfico de influência quanto na corrupção passiva, não é necessário que a negociação se concretize. "Basta que ele tenha operado de alguma forma para viabilizar que a negociação acontecesse."
Isso coloca Marcola numa posição mais vulnerável, exigindo que ele prove que não teve relação com as negociações intermediadas pela empresária Roberta Luchsinger. No caso de Lulinha, a defesa aponta fragilidade: "A própria Polícia Federal concluiu que todas as tentativas de negociação com ministérios foram frustradas".
O debate também expõe críticas à Polícia Federal e à Polícia Civil de São Paulo. O senador Flávio Bolsonaro (PL) falou em "perseguição estatal" após o vazamento do caso Dark Horse, gerando constrangimento com Tarcísio de Freitas (Republicanos). Já Marco Aurélio Carvalho, advogado de Lulinha, afirmou que "setores da PF atuam para prejudicar a campanha de Lula", mas elogiou o superintendente Andrei Rodrigues, um discurso que Venceslau chamou de "um pouco contraditório".
No fim, fica a pergunta: a polícia é independente ou instrumentalizável? Para Venceslau, é daí que vem o "fogo amigo" para justificar investigações. Quem acompanha o interior de Minas sabe como essas disputas ecoam no cotidiano, mas o que importa aqui é o desenrolar dos fatos em Brasília. caso dark horse investigações da polícia federal