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Criança hostilizada por camisa de Neymar reacende debate

Um momento de alegria se transformou em situação de risco na Neo Química Arena, no último domingo (30), durante a vitória do Santos sobre o Corinthians. Um garoto corintiano, fã de Neymar, foi hostilizado por torcedores do próprio time depois de receber a camisa do ídolo. A cena de violência reacendeu o debate sobre a hostilidade entre torcidas e a política de torcida única nos clássicos paulistas.

O menino estava na primeira fileira do estádio com um cartaz pedindo a camisa de Neymar. Como os clássicos paulistas são disputados com torcida única, apenas torcedores do Corinthians estavam nas arquibancadas. Ao deixar o campo, Neymar percebeu o pedido e entregou a camisa ao garoto antes de seguir para o vestiário. Emocionada, a criança caiu no choro ao receber o presente.

A situação mudou rapidamente. Após a entrega, a família passou a ser xingada por outros torcedores e se sentiu ameaçada. O garoto e os familiares precisaram ser escoltados por policiais e seguranças do estádio, saindo pelo gramado para evitar confrontos.

Durante a cobertura do episódio, o comentarista Raul Moura classificou a situação como "lamentável", destacando que, embora nada justifique a reação dos torcedores, o local escolhido para o pedido representou um risco desnecessário. "Nada justifica o que os torcedores fizeram, de xingar a criança", afirmou, acrescentando que os pais "se sujeitaram a um risco desnecessário" ao entrar no estádio com uma faixa pedindo a camisa de um jogador rival.

A discussão também alcançou a política de torcida única adotada nos clássicos de São Paulo. Para Ana Cristina Schwambach, a medida contribui para o aumento da hostilidade entre as torcidas. "Quanto mais torcida única, mais você tem uma cena como essa", afirmou. Ela classificou o episódio como "esdrúxulo" e defendeu que a admiração por um jogador rival não deveria ser encarada como afronta.

Apesar das ponderações sobre a atitude da família, os comentaristas foram unânimes ao responsabilizar os torcedores que hostilizaram o garoto. "Esses são os agressores, esses são os errados", afirmou um dos participantes. Outro reforçou: "A criança não tem culpa de nada".

O caso foi apontado como mais um exemplo da relação extremada com o futebol e levantou questionamentos sobre a possibilidade de retomada da torcida mista nos clássicos paulistas. Para famílias que levam crianças aos estádios, o episódio serve de alerta: a rivalidade, quando extrapola o campo, coloca em risco até quem só queria um momento de alegria.

Cláudia Resende
Repórter de Saúde e Educação
De Juiz de Fora, cobre saúde pública e educação em MG com foco no que afeta a família mineira.
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