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COP da Desertificação também deixa a desejar: veja o que isso afeta

ResumoA 16ª Conferência das Partes (COP16) da UNCCD, realizada em Ulaanbaatar, encerrou sem acordo para um mecanismo global vinculante de combate à seca. A ausência de consenso limita a resposta coordenada a eventos extremos. O Brasil apresentou meta voluntária de restauração de terras, mas a falta de obrigatoriedade fragiliza a implementação de políticas públicas contra a desertificação.

Líderes em Ulaanbaatar não fecharam acordo para um mecanismo global contra a seca. A UNCCD termina sem avanços, e o Brasil apresenta meta voluntária de restauração. Veja os impactos.

Vânia Drummond
Vânia Drummond Repórter de Cultura Mineira · 08 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
COP da Desertificação também deixa a desejar: veja o que isso afeta

A COP da Desertificação, a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), terminou em Ulaanbaatar, na Mongólia, sem que os líderes chegassem a um acordo para viabilizar um mecanismo global de combate à seca. O desfecho repete o padrão das últimas edições da COP do Clima e evidencia a crise profunda do multilateralismo. Prevaleceram entraves conhecidos, como a oferta limitada de financiamento e a oposição ativa dos Estados Unidos às políticas verdes.

Para você, que acompanha os efeitos da seca no Brasil, o resultado não é apenas uma notícia distante. A secretária executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, resumiu o roteiro que ficou para a próxima edição: impulsionar soluções práticas, da restauração de solos ao fortalecimento da relação entre terra e água. Em 2028, no Egito, o país já defendeu acordos legais obrigatórios, pondo fim à dinâmica de compromissos voluntários.

Enquanto isso, os dados mostram a urgência. Cerca de 40% das terras do mundo estão degradadas. Desde 2000, a frequência e a duração das secas aumentaram 29% em todo o planeta, segundo a ONU. Entre 2023 e 2025, 90 milhões de pessoas no leste e sul da África enfrentaram fome aguda pela pior seca já registrada. Na Bacia Amazônica, os níveis recordes de baixa dos rios levaram à morte em massa de peixes e botos ameaçados. No Canal do Panamá, as travessias caíram em mais de um terço. Na Europa, a Espanha viu a escassez afetar agricultura, turismo e abastecimento.

O custo econômico de uma seca hoje é duas vezes maior que em 2000, com aumento projetado pela OCDE de 35% a 110% até 2035. O El Niño 2023-2024 agravou extremos climáticos, e o próximo, de 2026-2027, pode ser o pior dos últimos 50 anos. Mesmo assim, os delegados não tiraram do papel estratégias robustas. A diplomacia climática recebeu novo baque com o reconhecimento inédito da ONU de que a meta do Acordo de Paris não será cumprida.

No meio disso, o Brasil protagonizou um ponto positivo: apresentou nova meta voluntária de Neutralidade da Degradação da Terra (NDT), cobrindo 3,67 milhões de km² com medidas de recuperação ou restauração (163 mil) e prevenção e manejo sustentável (3,5 milhões) até 2030. Com quase 40 milhões de pessoas em áreas suscetíveis à desertificação, o país tem a obrigação de executar o prometido e trabalhar pela ruptura da inércia que ameaça a sobrevivência do planeta. desertificação no Brasil A próxima parada é o Egito, em 2028. Até lá, resta acompanhar se os compromissos saem do papel.

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