Chanceler alemão acusa AfD de favorecer interesses russos
O chanceler alemão, Friedrich Merz, acusou o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) de favorecer interesses russos contra o próprio país. A declaração foi dada em resposta a um discurso da colíder do partido, Alice Weidel, e ocorre num momento em que Merz tenta recuperar a iniciativa após a derrota eleitoral de domingo (6).
Merz rejeitou sugestões de que poderia renunciar, mesmo com índices de aprovação em níveis historicamente baixos. Ele criticou os apelos da AfD para o fim do apoio à Ucrânia, acusando o partido de estar "firmemente do lado da Rússia", mesmo após um ataque planejado com drones a um aeroporto alemão no mês passado, que, segundo ele, foi realizado por Moscou. A Rússia nega a autoria.
A acusação mais dura veio quando Merz comentou a proposta de "remigração" defendida pela AfD. "Se o que está sendo defendido aqui, a saber, a 'remigração', se tornasse realidade, não seria nada além de um sinônimo de limpeza étnica com base na origem e na cor da pele", disse. A AfD foi classificada como extremista de direita pelo escritório regional do serviço de inteligência interna da Alemanha.
No programa eleitoral na Saxônia-Anhalt, a AfD defende a "remigração" para acelerar deportações de requerentes de asilo rejeitados e criminosos estrangeiros, além de incentivar a saída voluntária. O partido também quer que filhos de refugiados sejam ensinados em turmas segregadas.
O deputado da AfD Bernd Baumann respondeu por email à Reuters: "Por 'remigração', a AfD se refere à deportação consistente, de acordo com a lei, de todos os estrangeiros obrigados a deixar o país; nada mais. O chanceler Merz também sabe disso". Ele chamou a acusação de "tentativa desesperada e sórdida" de manter uma "barreira de proteção" por meio de uma "demonização inventada".
Merz também argumentou que forçar imigrantes a partir criaria escassez de mão de obra qualificada. "Nenhuma casa de repouso funcionará. Nenhum hospital na Alemanha permanecerá operacional, e nenhum restaurante conseguirá se manter no mercado", disse.
Para quem acompanha política europeia, o que chama atenção é o tom: Merz não só ataca a AfD por sua posição sobre a Rússia, mas tenta desqualificar o programa central do partido como uma ameaça à coesão social alemã. A resposta da AfD, por sua vez, tenta enquadrar a fala do chanceler como uma manobra para isolá-los.