Caso Gisele: Justiça adia interrogatório do tenente-coronel
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) adiou, nesta sexta-feira (4), o interrogatório do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado pelo feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, sua esposa. A nova data foi marcada para 5 de outubro deste ano.
Segundo o documento do tribunal, a decisão atendeu a um pedido da defesa do tenente-coronel, que solicitou a juntada de diligências complementares ao inquérito. O despacho explica que a solicitação foi aceita para garantir o direito de defesa do réu, fixando um novo interrogatório com prazo improrrogável de 20 dias.
Enquanto isso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão preventiva do tenente-coronel em decisão publicada no Diário de Justiça Eletrônico Nacional (DJEN) na quinta-feira (27), após um pedido de habeas corpus da defesa.
Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, na região central de São Paulo, em 18 de fevereiro. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência evoluiu para inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual.
De acordo com o Ministério Público, após o crime o oficial teria tentado simular um suicídio ao posicionar a arma na mão da vítima e alterar a cena para induzir a investigação a erro. Laudos periciais apontam inconsistências na versão apresentada pela defesa, com vestígios de sangue nas roupas do acusado e indícios de que ele teria tomado banho após o crime para eliminar provas.
Para o MP, o homicídio foi praticado por motivo torpe, relacionado ao sentimento de posse e à recusa do acusado em aceitar o fim do relacionamento. A denúncia também afirma que Gisele foi surpreendida, sem possibilidade de defesa, o que qualifica o crime.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. Ele foi denunciado pelo MP e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.
A defesa do tenente-coronel, composta pelo advogado Eugênio Malavassi, afirmou que analisa a resposta do Instituto de Criminalística sobre os quesitos apresentados no laudo, junto com o assistente técnico. Já a defesa técnica dos familiares de Gisele reiterou que "jamais teve dúvidas de que a morte foi resultado de um feminicídio". Para o advogado Miguel Silva, o laudo complementar reforça as provas existentes e confirma que Gisele foi assassinada pelo tenente-coronel.