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Apoio estrangeiro e drones alimentam guerra no Sudão, diz ONU

Apoio estrangeiro e drones alimentam a guerra no Sudão, segundo missão de investigação da ONU. Em relatório divulgado nesta quinta-feira (3), a missão afirma que armas, tecnologia militar, combatentes e redes logísticas vindos de outros países ampliam a capacidade dos grupos em conflito de atacar áreas civis distantes com drones.

A guerra começou em abril de 2023, após disputa pelo poder entre as Forças Armadas do Sudão e as Forças de Apoio Rápido (RSF). Mais de 14 milhões de pessoas foram deslocadas, em uma das piores crises humanitárias do mundo, segundo a ONU.

O relatório aponta que mais de 1.000 pessoas morreram em ataques com drones nos cinco primeiros meses de 2026. Os investigadores acusam os dois lados de graves violações do direito internacional humanitário e dos direitos humanos, com algumas ações configurando crimes de guerra.

A missão afirma ter encontrado indícios de uma rede envolvendo indivíduos e entidades nos Emirados Árabes Unidos, no Chade, na Líbia e na Somália que teria fornecido à RSF armas, equipamentos, logística, treinamento e pessoal estrangeiro. Até 2 mil contratados colombianos teriam ajudado a operar e manter sistemas de drones e outras armas avançadas da RSF. Alguns estavam presentes durante operações nos arredores de Al-Fashir, em Darfur, cidade capturada pela RSF em outubro de 2025.

Os Emirados Árabes Unidos rejeitaram as acusações por meio de sua missão diplomática em Genebra, afirmando que não forneceram armas ou materiais de uso militar. O governo da Somália disse levar as acusações a sério, negando uso de seu território para fins militares, mas reconheceu "falhas" no compartilhamento de informações. A Colômbia afirmou que se opõe ao mercenarismo e adota medidas para lidar com a participação de cidadãos em conflitos estrangeiros.

A missão também investiga apoio externo às Forças Armadas do Sudão, com evidências de drones de combate e munições vagantes fornecidos por outros países. Essas armas ampliaram a capacidade do Exército de realizar ataques de longo alcance, inclusive contra locais civis, como o mercado de Yabus, no estado do Nilo Azul.

Entre maio e julho de 2026, ataques repetidos de drones da RSF danificaram instalações de eletricidade e combustível em El Obeid, capital de Kordofan do Norte, interrompendo água, saúde e transporte. O relatório também destaca ataques do Exército que mataram pelo menos 70 pessoas no Hospital Universitário de Ad-Da'ein, em Darfur Oriental.

A missão reitera pedidos para que o embargo de armas à região de Darfur seja aplicado e insta o Conselho de Segurança da ONU a estendê-lo a todo o Sudão. Para quem acompanha a crise, a recomendação é buscar informações em fontes oficiais e relatórios da ONU, que seguem monitorando a situação no terreno.

Cláudia Resende
Repórter de Saúde e Educação
De Juiz de Fora, cobre saúde pública e educação em MG com foco no que afeta a família mineira.
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