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AMM alerta candidatos ao Governo de Minas sobre perdas fiscais

ResumoA Associação Mineira de Municípios (AMM) alertou os candidatos ao Governo de Minas Gerais sobre perdas fiscais que somam cerca de R$ 28,6 bilhões entre 2020 e 2026, decorrentes de renúncias de ICMS e IPVA. A entidade divulgou carta aberta apontando o impacto negativo dessas renúncias sobre a arrecadação das prefeituras mineiras.

Associação Mineira de Municípios divulga carta aberta aos candidatos ao Governo de Minas e aponta que cerca de R$ 28,6 bilhões deixaram de chegar às prefeituras com renúncias de ICMS e IPVA entre 2020 e 2026.

Vânia Drummond
Vânia Drummond Repórter de Cultura Mineira · 14 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
AMM alerta candidatos ao Governo de Minas sobre perdas fiscais

A Associação Mineira de Municípios (AMM) divulgou, em setembro de 2026, uma Carta Aberta aos candidatos ao Governo de Minas Gerais para alertar sobre o impacto das renúncias fiscais estaduais nas receitas das prefeituras. Segundo a entidade, cerca de R$ 28,6 bilhões deixaram de chegar aos cofres municipais em razão das desonerações de ICMS e IPVA entre 2020 e 2026.

O documento defende medidas para compensar as perdas acumuladas e pede compromisso expresso dos candidatos com a proteção das receitas municipais. A carta é assinada pelo presidente da AMM e prefeito de Iguatama, Lucas Vieira.

O que a carta da AMM aponta sobre as renúncias fiscais

Os dados apresentados pela entidade mostram que as renúncias de ICMS e IPVA passaram de R$ 6,9 bilhões, em 2020, para R$ 25,2 bilhões projetados para 2026. Em Nota Técnica sobre as renúncias previstas na LDO 2020-2026, a AMM estimou R$ 102,4 bilhões no período, sendo R$ 90,4 bilhões de ICMS e R$ 12 bilhões de IPVA.

Como 25% da arrecadação do ICMS e 50% da do IPVA pertencem constitucionalmente aos municípios, a AMM calcula que aproximadamente R$ 28,6 bilhões deixaram de chegar às prefeituras. A entidade reconhece que as políticas de atração de investimentos contribuíram para o desenvolvimento de diversas cidades, mas ressalta que os efeitos das renúncias acentuaram desigualdades dentro do Estado.

O custo das desonerações foi distribuído entre os 853 municípios mineiros, incluindo os que não foram beneficiados diretamente pelos investimentos atraídos. A AMM chama atenção ainda para as cidades de menor porte: a maioria dos municípios mineiros tem menos de 10 mil habitantes e depende dos recursos compartilhados para garantir serviços públicos.

Obrigações crescentes e pedidos aos candidatos

A carta cita estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM) que estimou impacto de R$ 270 bilhões nos cofres municipais em decorrência de pautas aprovadas pelo Congresso Nacional sem indicação de novas fontes de custeio. Diante desse cenário, a AMM pede aos candidatos ao Governo de Minas cinco compromissos: revisão das políticas de renúncia fiscal com avaliação de custo-benefício; criação de mecanismos de compensação aos municípios; ampliação da transparência e do controle social sobre os incentivos; participação dos municípios nas decisões que afetem suas receitas; e compensação das perdas já acumuladas.

A entidade também reforça a importância do fortalecimento do pacto federativo e da autonomia financeira dos municípios. No encerramento do documento, a AMM afirma: "Minas Gerais só será grande se suas cidades forem fortes".

Acompanhar essa discussão é acompanhar o chão onde a cultura mineira acontece: cada cidade histórica guarda um mestre, e são as prefeituras que sustentam boa parte dessa tradição viva.

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