95% dos postos de combustíveis do RJ irregulares: crime organizado avança, diz governo
A Secretaria da Fazenda do Rio de Janeiro identificou que 95% dos postos de combustíveis do estado operam com irregularidades fiscais. O governo estadual liga o cenário ao avanço do crime organizado no setor, com fraudes que vão de sonegação a adulteração de combustíveis.
95% dos postos de combustíveis do RJ estão irregulares junto à Fazenda, e governo vê avanço do crime organizado no setor
A Secretaria da Fazenda do Rio de Janeiro (Sefaz-RJ) divulgou que 95% dos postos de combustíveis do estado operam com irregularidades fiscais. O governo fluminense relaciona o percentual ao avanço do crime organizado no setor, com fraudes que incluem sonegação, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis. O levantamento, que abrange todo o estado, acendeu alerta sobre a segurança do abastecimento e a saúde financeira do consumidor.
Segundo a Sefaz-RJ, as irregularidades mais comuns são a emissão de notas fiscais frias, a subfaturamento de vendas e a ausência de registro de operações. O governo estima que o setor de combustíveis no RJ deixe de recolher cerca de R$ 1,5 bilhão por ano em impostos estaduais, como o ICMS. A sonegação fiscal é um dos pilares da atuação do crime organizado no segmento.
Como o crime organizado age nos postos de combustíveis do RJ
O avanço de facções criminosas sobre o setor de combustíveis no Rio de Janeiro não é novo, mas ganhou escala nos últimos anos. De acordo com a Sefaz-RJ, grupos organizados usam postos como fachada para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e de armas. Além disso, adulteram combustíveis com solventes e outros aditivos para aumentar a margem de lucro.
Lavagem de dinheiro e notas frias
A principal ferramenta do crime organizado no setor é a nota fiscal fraudulenta. Postos irregulares emitem notas frias para simular compras e vendas, ocultando o fluxo real de dinheiro. A Sefaz-RJ identificou que mais de 70% dos postos com irregularidades têm vínculos com empresas de fachada ou laranjas. O dinheiro do crime é injetado no sistema legal de abastecimento, dificultando o rastreamento.
Adulteração de combustíveis e risco ao consumidor
A adulteração de gasolina e diesel é outra prática comum. A Sefaz-RJ, em parceria com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), flagrou postos que misturam solventes, como querosene e álcool anidro em excesso, à gasolina. O consumidor paga por combustível de qualidade inferior, que danifica motores e aumenta a emissão de poluentes. Estima-se que 1 em cada 4 litros de gasolina vendidos no RJ esteja adulterado.
Impacto na arrecadação do estado do Rio de Janeiro
A sonegação fiscal no setor de combustíveis tem impacto direto nas contas públicas do RJ. O ICMS sobre combustíveis é uma das principais fontes de receita do estado, respondendo por cerca de 20% da arrecadação total. Com a evasão fiscal, o governo deixa de investir em saúde, educação e segurança pública. A Sefaz-RJ estima que a regularização do setor poderia aumentar a arrecadação em até R$ 1,2 bilhão por ano.
O que o governo do RJ está fazendo para combater as irregularidades
A Sefaz-RJ intensificou a fiscalização nos postos de combustíveis com operações conjuntas com a Polícia Civil e a ANP. Em 2026, foram realizadas mais de 300 operações de fiscalização, que resultaram na interdição de 45 postos e na prisão de 12 pessoas por envolvimento com crime organizado. O governo também implementou um sistema de monitoramento eletrônico de notas fiscais, que cruza dados de compra e venda em tempo real.
Medidas para o consumidor
O governo orienta os consumidores a desconfiarem de preços muito abaixo da média do mercado e a exigirem a nota fiscal. A Sefaz-RJ criou um canal de denúncias online, onde é possível reportar suspeitas de irregularidades. Além disso, a ANP realiza testes periódicos de qualidade nos combustíveis, e o consumidor pode consultar o resultado no site da agência.
O que muda para o consumidor de combustíveis no RJ
O cenário de irregularidades afeta diretamente o bolso e a segurança do consumidor. Combustíveis adulterados podem causar danos ao motor, aumento do consumo e maior emissão de poluentes. A Sefaz-RJ alerta que, em postos irregulares, o consumidor também corre o risco de abastecer com combustível roubado ou de procedência duvidosa.
Para se proteger, o consumidor deve:
- Exigir a nota fiscal a cada abastecimento.
- Desconfiar de preços muito abaixo da média do mercado.
- Verificar se o posto tem o selo de qualidade da ANP.
- Denunciar suspeitas pelo canal da Sefaz-RJ.
Perguntas Frequentes
Como saber se um posto de combustível é regular no RJ?
A Sefaz-RJ disponibiliza um sistema de consulta online onde o consumidor pode verificar se o posto está em dia com o fisco estadual. Basta acessar o site da secretaria e informar o CNPJ do estabelecimento.
O que fazer se suspeitar que o combustível está adulterado?
O consumidor deve denunciar à ANP pelo telefone 0800 970 0267 ou pelo site da agência. A ANP realiza testes e, se confirmada a adulteração, o posto pode ser multado e interditado.
Quais são os riscos de abastecer em posto irregular?
Além de danos ao motor e aumento do consumo, o consumidor pode estar financiando o crime organizado. Postos irregulares são usados para lavagem de dinheiro e podem vender combustível roubado.
O governo do RJ vai aumentar a fiscalização?
Sim. A Sefaz-RJ anunciou um plano de fiscalização intensiva para 2026, com 500 operações previstas e a ampliação do sistema de monitoramento eletrônico. O objetivo é reduzir o percentual de postos irregulares para 50% até o final do ano.
Como denunciar um posto suspeito?
O consumidor pode denunciar pelo site da Sefaz-RJ, pelo telefone 0800 970 0267 da ANP ou diretamente na delegacia mais próxima. A denúncia pode ser anônima.